Ai, o trânsito

Esse trânsito atrapalha mesmo nossa vida. Graças a ele, na curta distância entre a casa e o trabalho, uma pessoa consegue reclamar de, no mínimo, 12 coisas.  

Ele reclama da falta de descência do homem que faz xixi na roda de um carro.
Da repórter Y., que não consegue nem formular uma pergunta.
Do repórter F., que faz a brilhante pergunta qual a importância de Angola para o Japão e que não consegue identificar qual a parte mais importante de uma entrevista longa com o embaixador de um país.
Da comida vagabunda que ele comeu em Ingombota na noite anterior, depois do fecho.
Da garçonete ladra que não anotou a última cerveja no caixa e depois cobrou-a mesmo assim, só para poder embolsar o dinheiro.
Da matéria de capa.
Da capa.
Da gala que vai haver no Cais Quatro em comemoração do aniversário da revista Chocolate. Que breguice.
Da comida do Cais de Quatro.
Do artigo brilhante que será enviado directamente de França.
Das árvores de Natal vendidas nas ruas pelos ambulantes.
Pela forma agressiva que o sr. seu motorista conduz a viatura.

Não reclamou do paludismo, mas poderia, pois esse é uma das reclamações de todos os dias. Afinal, não se pode ficar doente em África.

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Uma resposta to “Ai, o trânsito”

  1. Serena Says:

    “directamente de França.” eu adoro que você escreve em outro português… 🙂

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