Nem tão inimigos assim

vizinhos

Post escrito no dia de natal e nunca postado pela falta de internet.

Queria sair para dar um mergulho no mar rapidinho antes de ir no almoço chique de natal na casa de um brasileiro bem relacionado que é amigo de embaixadores e outras gentes importantes.

Como acontece todos os dias, havia um carrão estacionado na frente da garagem. Como acontece todos os dias, eu xinguei várias gerações do dono do tal carrão e depois fui procurar saber com o segurança de quem era o carrão. Como acontece quase todos os dias, era um dos carrões de alguém da casa do general.

Atravessei a rua e fui lá bater na porta do sr general, cheia de razão e de vontade para reclamar. O portão estava aberto e lá ao fundo, no grande salão, a família reunida fez sinal para eu entrar. Antes que eu tivesse tempo de perguntar com cara emburrada se aquele carro estacionado mais uma vez na frente da minha garagem era deles, um cara que eu achei que tinha cara de dono da casa já veio me desejando feliz natal, boas festas e me ofereceu um fino. Os outros todos ali sentados ao redor da mesa cheia de caranguejos enormes e suculentos também desejaram feliz natal, me ofereceram um cadeira, uma pata de caranguejo e já foram logo me fazendo um monte de perguntas sobre o Brasil e falando que não havia dois países mais parecidos no mundo do que Brasil e Angola e que a comida brasileira era deliciosa e como foi importante para Angola o Brasil ter sido o primeiro país do mundo a reconhecer a independência.

Quando me dei conta, estava tomando um sumo de manga e falando com os meus supostos inimigos como se eu fosse realmente uma convidada do tal almoço de natal ou mesmo alguém da família. Já nem lembrava mais que eu estava lá para reclamar, não para fazer amizades com o clã do general. Depois de um tempo lá na casa do general jogando conversa fora, eu disse que realmente precisava ir tomar o banho de mar. Me despedi de todos, agradeci o sumo, desejei feliz natal e o dono do carro me acompanhou até a rua para liberar a garagem, naturalmente, sem qualquer tipo de constrangimento, sem sequer esboçar qualquer pensamento de que ele podia estar errado de bloquear minha garagem.

Fui embora feliz e contente por poder tomar um banho de mar a 5 minutos de casa e de ter aprendido mais uma vez como as minhas referências não podem simplesmente ser transportadas para um outro país sem fazer nenhum tipo de adaptação.

 

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