Milho nosso de cada dia

Todos os dias, bem na hora em que a luz do fim da tarde deixa as ruas, as pessoas, os muros, as janelas e a confsuão de Luanda com cores lindas, saímos para tomar um café na pastelaria Nilo. A pastelaria, que aqui é lugar que vende bolo, e não pastel, é um reduto de tugas. Sempre estão por lá vários Manoeis e Joaquins a tomar um cafe com pastéis de belém e outros docinhos. Já conhecemos todas as moças que trabalham lá, e elas gostam mais da gente do que gostariam normalmente porque um amigo nosso resolveu dizer a elas que éramos atores de novela brasileira.

Mas de uns tempos pra cá eu deixei de comer tostas e docinhos da Nilo. Ainda gosto de ir lá pra tomar o chá de camomila naquele maldito bule português que derruba boa parte de água quente pra fora e sempre fico xingando o maldito projetista que desenhou aquele maldito bule. Ainda preciso ir lá pra fazer xixi quando não tem água na redação, o que acontece quase todos os dias.

Mas agora a minha comida preferida desse fim de tarde iluminado é o milho assado na brasa que vende na rua. É torradinho, meio duro, meio queimadinho, bem delicioso. No começo eu tinha um pouco de nojinho de comer aquele milho de procedência duvidosa. Mas isso foi passando. Aos poucos fui ficando amiga das vendedoras. Elas me dão bronca quando passo e não compro milho, acompanharam toda a epopeia da mala perdida e agora já combinamos que eu encomendo o milho na ida pra buscar na volta da pastelaria Nilo. Agora como praticamente todos os dias o tal milho assado.

Tags: ,

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s


%d blogueiros gostam disto: