Bagda é no Mussulo

bagda

Fui de boleia com amigos até o Mussulo, uma ilha perto de Luanda onde endinheirados de Luanda andam de barco, de motoaquática, fazem praia e dormem em suas mansões. O barquinho nos deixou no Barsulo, um bar com tendas, camas cheias de almofadas e guarda sóis de pralha e madeira parece que estamos em Ibiza. Só que nem em Ibiza a creveja deve custar tanto: 700 kwanzas, ou 10 dólares, quase 25 reais. Uma cerveja.
Sorte que já sabíamos disso e ficamos um pouco mais para a direita, em frente a um resort abandonado, onde, depois de andar vários metros por uma passarela de madeira sobre a areia que passa ao lado de vários quartos lindos com mobília e parabólicas abandonadas e de uma cozinha industrial totalmente equipada jogada ao relento junto com resto de móveis e de escombros, chegamos a umas casinhas bem simples e a um bar rosa chamado Bagdá que vende cuca a 130 kwanzas.
Esse monte de dinheiro usado para comprar coisas como cozinha industrial, hotel, casa, moto aquática, carros, sofás, que depois ficam abandonadas de qualquer jeito em qualquer lugar, abandonados nas praias, nos telhados, nas estradas, calçadas ou rios ainda chocam meus olhos que hoje já não estranham tantas coisas que acontecem aqui.
O Mussulo foi a primeira praia que eu fui em Luanda, no ano passado. Naquela época choquei-me com os putos a cercar o carro para tentar ganhar uns trocados a qualquer custo, choquei-me porque tive que fazer xixi atrás dos carros, na areia, de qualquer jeito, choquei-me com as pessoas que vendiam bebidas, comidas e cigarros perto dos barcos e ao lado de um monte de lixo que eles mesmos produziam. Dessa vez essas coisas já são me chocam mais, a cidade inteira é assim e não dá pra ficar chocada a todo o tempo. Mas aquele hotelzão totalmente jogado assim me deixou um pouco impressionada novamente.
Bom, voltando ao Mussulo. Ficamos a tomar cucas do bar bagdá e depois arrumamos uma senhora que matou umas galinhas do seu jardim, fritou umas batatas e fez um arroz e fez o preço camarada de 600 kwanzas por pessoa. Galinha sem hormônios, que morreu na hora e não atravessou o Atlântico congelada.
Em frente ao resort abandonado ficamos amigos de um jovem que cuida de uma mansão novinha bem chique ali do lado, cujo dono inaugurou a casa e só esteve lá duas vezes. Como a casa está sempre linda e sempre vazia e basta desligar o gerador para o circuito de câmeras pararem de funcionar, fomos tomar um banho naquela piscina enorme com vista para o mar. Estávamos autênticos milionários, aproveitando a fortuna e a desigualdade social do “terceiro país mais rico do mundo”.

Na volta, dividimos o barco com uns libaneses completamente bêbados que ficavam falando libanês bem alto e foram cantando no caminho todo umas músicas árabes engraçadas. Quando chegaram em terra, pegaram nossos telefones para marcarmos um almoço qualquer dia desses.

Tags: , , , , ,

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s


%d blogueiros gostam disto: