26 horas

O trem tinha caminha, edredon, travesseiro, vendedores de frutas e de noodles, vendedores de brinquedos eletrônicos made in china e de jornais e revista em chinês. Mas depois de 26 horas não há diversão que faça um ser humano dentro daquele trem pinga pinga que cortou mais de 2 mil quilômetros de China não ficar entendiado.

Ainda mais depois que os nosso amigos foram embora. Na nossa celinha tinha um triliche: C. e eu em cima, dois quarentões barrigudos e simpáticos no meio e um casal de velhinhos que vistam pantufa a noite embaixo. Ficamos super amigos, apesar de eles só saberem falar rm inglês what’s your name, sit down, how old are you e eu só aquelas cinco palavras em chinês (a C. sabe umas 10). Conversamos longamente, cada um no seu idioma. Tiramos fotos, fizemos escambo de alimentos, descobrimos a cidade em que cada um morava e demos muitas risadas desses diáologos malucos, sem pé nem cabeça. Descobri que um dos barrigudos vendia e comprava ouro de Gana e descobri também que ele queria fazer abdominal à noite quando meu estrado começou a dar uns pulos.

Do lado de fora vi muitas plantações de cebolinhas ou chás e muitas árvores sem folhas mostravam que essas terras do norte são frias. Vi umas montahnas bonitas, umas casas de camponeses e vez ou outra cruzávamos uma cidadezinha chinesa, que aqui tem 2 ou 3 miulhões de habitantes. Também vi umas cavernas cavadas para dentro dessas montanhas arenosas e fiquei pensando que deve haver gente que mora aí dentro.

Quando saí do trem vi que aqui faz mesmo frio. Garoa, ventinho, tipo SP no inverno. Estou com roupas de frio emprestadas, eu allstar oliginal de 7 dólares e 2 calças jeans, uma doada e outra comprada por 5 dólares. Os vestidos e sandálias e fatos de banho e sainhas que eu usava em Luanda ficaram lá guardados em Shenzhen.

Amanhã vou fazer passeio de turista e visitar o exército de terracotas. A cidade parece lindíssima. Mas o frio e a chuvinha não nos deu coragem de botar o nariz pra fora.

Free internet, vou postar umas fotos engraçadas depois pra vcs sentirem o clima do trem. Ah, o albergue custa 4 dólares. Recém-saída de Luanda, onde 5 bananas custavam 4 dólares, ainda fico meio boba com o preço das coisas. E, por falar em Luanda e também por falar em São Paulo, tenho que dizer que a saudade anda rondando.

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