Agora tudo misturado

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BEM-VINDOS A MACAU. Na hora em que aquelas letras enormes da placa na saída do ferry boat me disseram aquilo, eu nem me dei conta elas falavam na mesma língua que eu. Foi só depois que eu comecei a ler outras placas em português explicando como as pessoas deveriam proceder na imigração que eu comecei a achar tudo aquilo engraçado. Continuei achando tudo muito engraçado quando peguei o autocarro público, desci na avenida almeida ribeiro, na frente do largo do Senado, que tem uma fonte, a santa casa de misericórdia e uma igrejinha católica, e aquele lugar era a China, e não São Luis do Maranhão, Luanda ou Cidade do Porto.

Não foi de caso pensado. Mas o último lugar que eu fui parar antes de voltar para casa dessa viagem incrível e desplanejada que começou há alguns meses foi como pegar todos os lugares em que eu pisei ultimamente e bater bem no liquidificador.

A mão é inglesa, o dinheiro é hong kong dollar, a língua oficial é o português, o cheiro é de pastel de belém, a arquitetura é a que meus olhos estão acostumados, a língua é o mandarim, e as pessoas, o ritmo, a quantidade de gente na rua, as lojas, todo o resto é é chinês. O dumplin é de bacalhau. A pastelaria vende pasteis de belém junto com um tipo de chiclete de linguiça que os chineses adoram. O seu artur tem barriga de português, jeito de português, sotaque de macau, tem olhos rasgados, morou no brasil e casou com uma filipina. As ruínas, que são de um santuário que faz homenagem aos desbravadores que colonizaram e catequizaram Macau, ficam bem ao lado de um templo budista chinês que tem sempre incensos acesos à porta muitos chineses rezando, assim como inúmeros outros que eu vi em Bangkok, Krabi, Xian ou Hanoi. A Pharmacia vende remédios do ocidente e camarões secos, poções, emplastos, folhas chás e outras coisas da medicina chinesa.

Sumol de laranja, sandes, tostas, prego no pão e outros nomes portugueses que no português do brasil soam todos estranhos para mim soaram familiares porque me levaram imediatamente para Luanda, onde íamos na pastelaria Nilo do Zé Pirão (que não é o nome de um restaurante, mas o nome de uma esquina) comer tostas de queijo ou no Amarelinho comer prego no pão. Prego no pão também me lembra o rep ráuor da redaçao do Jornal de Economia e Finanças, pois naquele dia comemos bué de prego no pão e éramos felizes e não sabíamos porque tínhamos um chefe mais ou menos normal, e não um senhor incompetente e autoritário de cabelos acajus que dá ordens burras e estúpidas a todo tempo e tem uma mania de perseguição tão ridícula que chega a ser engraçada.

A companhia, as risadas e as bochechas da C. que me acompanharam por aquele liquidificador de cidades que na verdade era uma cidade só me fizeram sentir mais uma vez como uma das coisas mais legais do mundo é estar ao lado dos amigos e como é reconfortante saber que os amigos estão por todas as partes do mundo.

Acho que não ia encontrar lugar melhor no mundo para passar o último dia antes de voltar para casa.

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2 Respostas to “Agora tudo misturado”

  1. Marcelo Marques Says:

    Ainda vou conhecer Macau… só preciso de tempo. E tempo… o que é isso 🙂

  2. manuel fernandes Says:

    macau devia ser exemplo para a humanidade de como duas culturas tao diferentes conseguem coabitar sem uma eliminar a outra, macau grande orgulho da grande alma lusitana

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