A Taag e o Brás

A Taag, a empresa aérea falida do governo angolano que perdeu minha mala e depois reencontrou e que perde a mala de um monte de gente todos os dias, agora vai voar três vezes por semana para São Paulo. Antes ela só voava para o Rio, o que não estava fazendo sentido, pois é para cá que as pessoas de lá costumam vir e é daqui que as pessoas daqui costumam sair.

Aí como a Taag inaugurou esse vôo e o dinheiro dela sai da torneira feito água, ela resolveu chamar um monte de jornalistas e pessoas oficiais para fazer esse primeiro vôo. Foi assim que meu amigo Tugolano veio parar aqui por uns dias. Ele é da turma dos jornalistas, não das pessoas oficiais.

E aí eu disse para ele que ele tinha que ir fazer uma matéria no Brás, que é um grande pólo de roupas e calçados, e ele topou. No Brás está cheio de sacoleiras angolanas que atravessam o Atlântico para comprar havaianas, sapatos, calcinhas, cuecas, jeans, blusas, cabelo brasileiro, meias e outras coisas para revender lá em Angola, que ainda não teve tempo de desenvolver uma indústria consistente e tem que importar quase tudo.

Eu mesma já tinha feito essa matéria antes e então já soube indicar certinho os hoteis, as transportadoras, os restaurantes e as ruas para encontrar as pessoas e as informações. Fomos na transportadora palancas, no hotel que serve calulu, funge e muamba de galinha, ficamos sabendo da discoteca que toca kizomba e ficamos a ouvir bué de histórias engraçadas. Ah, também tinha um hotel com aqueles relógios que mostram os horários em várias cidades do mundo e as cidades eram São Paulo, Luanda, Johanesburgo e Lisboa.

Conhecemos um casal de coreanos que vende 90% da sua produção para angolanas. E clientela é tão fiel e a dona encontrou um nicho tão bom que ela mesma foi lá em angola em 2004 para visitar pessoalmente a terra e os hábitos dos seus parceiros comerciais. No balcão da loja tem uma foto dela no aeroporto 4 de fevereiro, um bolo com a bandeira de angola, bué de pessoas a dançar kizomba e uns comércios lá no Roque Santeiro. A dona está tendo tanto sucesso nos seus negócios que seu sotaque um pouco puxado para o coreano chama todo mundo de amigo ou amiga, como se faz lá do outro lado.

O que eu mais gosto desse comércio das sacoleiras é que praticamente um país inteiro se veste graças às viagens dessas moças. O mais natural para a nossa lógica seria que um ou alguns empresários montassem um negócio gigante que levasse contêineres e mais contêineres de roupas do Brás para Luanda. Seria mais simples, mais barato, mais direto, mais econômico. Mas o mais lógico nem sempre é mais lógico para todo mundo ou nem sempre as coisas funcionam da forma mais lógica. Então as mulheres pagam suas passagens, trazem seu kumbu em espécie, vão nas lojas que suas amigas indicaram ou que elas já conhecem, compram as quantidades e as qualidades que elas gostam, pagam a vista, carregam suas malas com o peso máximo permitido, pagam todo o excesso de bagagem permitido, levam suas mercadorias de volta e revendem no Roque, nas ruas, nas pequenas lojas ou na sua casa, tudo bem informalmente. Como é tudo bem caro por lá, essa empreitada compensa.

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11 Respostas to “A Taag e o Brás”

  1. Joao Says:

    O Tuga ta ai????
    Poxa, nao acredito que perdi essa…

  2. Tugolano Says:

    Comé gajo, andas por onde? São Paulo: confusão de grandes avenidas, onde no meio vivem pessoas. Esta é a minha definição da tua terrinha. Nada comparada com esta grande metrópole tropical que é Luanda! Nada, na verdade curti bué SP. Abraços

    • Joao Says:

      Eh pa, pena que nao pude estar ai…
      Eu agora to na Etiopia. Vc ia gostar bue.
      Abracos e tomara que nos reencontremos logo.

  3. cassia Says:

    Oi jú! as sacoleiras k aqui em luanda sao chamadas d moambeiras muitas vezes gastam tanto dinheiro fazendo essas viagens e acabam por ficar com varias coisas,perdem a massa pork vao vender la no roque,e noutros mercados onde elas sao quase k obrigadas a baixar os preços.! Mas mesmo com tantas dificuldads e com muitas coisas por melhor Angola (luanda) é um pais maravilhoso! tenho acompanhado o seu blog a alguns dias e xtou adorando,pork so agora cnsgo entender algumas cenas k se passavam la na republica dos brasileiros qnd n xtava presente. sabes k até xtou com saudades d vocês e olha k tu n vais acreditar k eu tinha ciúmes d ti com o enfim… mas é isso ai foi bom ter-vos aqui.muitos beijinhos Cassia

  4. Christian Says:

    Oi, Juliana,
    tudo bem?
    Eu tbm sou jornalista e queria uns conselhos. Te mandei um e-mail, mas acho que pode ter ido para o spam. Se vc puder me responder, ficaria muito agradecido.
    Brigadão mesmo.
    Abraço,
    Christian Baines

  5. victor yim Says:

    oi Juliana,

    recentemente estive em angola – luanda (depois de ler a sua repostagem) e descidi abrir uma loja em luanda.Voce poderia me ajudar com algumas dicas e opinioes?Ficarei mais seguro com seus comentarios.

    um forte abraco

    Victor

  6. musica angolana Says:

    Ouçam a Rádio Cultura Angolana http://www.radioculturaangolana.com

    Abraços!

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