As melhores e as maiores

Nessa vida de frila eu acabo passando muito tempo em casa. Vários dias eu tenho que sair para ir a reuniões, entrevistas, cortar textos ou fechar páginas, mas outros vários dias eu e meu computador resolvemos tudo virtualmente. Aí eu estabeleci um compromisso comigo mesma de sair pelo menos uma vez por dia de casa e ver gente, nem que seja na padoca para bater um papo com o maguila e comprar um pão italiano, ou então no supermercado padrão, que entrega em casa e eles todos me conhecem. O que não dá é para passar o dia todo e eu ver apenas a Olga, que é uma gata, e não uma pessoa.

Um dia desses que eu tinha que cumprir o ritual de sair de casa fui cortar o cabelo na vila madalena. Eu tava la de jalequinho, cabelo molhado me encarando naquele espelho todo iluminado por 420 lâmpadas que faz a gente enxergar todos os nossos defeitos ao mesmo tempo e, como não podia deixar de ser, comecei a puxar papo com a cabelereira, que se chama Susy (ou não, ja não me lembro). Quando ela me perguntou qual era minha profissão e eu disse que era jornalista, ela se achou a pessoa mais importante do mundo por estar cortando, pel segunda vez no dia, o cabelo de uma jornalista. Eu bem que tentei explicar que jornalista não era gente importante, muito menos que merece admiração, que as revistas e os jornais e as notícias de hoje estão com qualidade que não dá orgulho, mas às vezes até vergonha, que, por isso, ela não precisava ficar feliz por estar cortando meu cabelo pelo fato de eu ser uma jornalista. Mas a Suzy não deu bola. Ela disse que sem os jornalistas ninguém iam saber de nada do que se passa no mundo e que, por isso, nosso trabalho é, sim, imporante.

Aí acho que ela esatva adorando o jeito que meu cabelo nasce e se comporta, pois ela falou muito bem dele e disse: cada um tem o cabelo que merece. Eu tenho esse cabelo difícil, que precisa fazer escova todos os dias, e ainda bem que sou cabelereira. Já você tem esse cabelo fácil, que nem precisa pentear, porque é ocupada e vive para cima e para baixo.

Bom, eu não me acho importante, e nem sou, e muito menos tenho achado mina profissão nobre. Mas por enquanto (até segunda ordem) é com ela que eu trabalho, me divirto, fico entediada, me irrito, me ocupo, aprendo, me decepciono. De falta de trabalho não to podendo reclamar. Essa aqui (fecha pra assinantes, só da pra ler o abre) é uma matéria que eu fiz pra Melhores e Maiores, da Exame, sobre os maiores grupos empresariais do país. Primeiro fiz uma espécie de telemarketing de luxo pra tentar convencer as assessorias e reunir as ocupadíssimas agendas dos conselhos de administração e posar para uma foto que virou um ensaio fotográfico que ficou muito bacana, mas ainda não consegui o pdf pra postar. Depois fiz umas apurações aí com uns presidentes ou diretores de empresas. Foi um trabalho legal.

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3 Respostas to “As melhores e as maiores”

  1. s. Says:

    Eu entro com o login e a senha e o site ainda me deixa na página de degustação. Grrrrrr. Acontece a mesma coisa quando tento ler a minha matéria na mesma edição. Mas gostei do pedacinho que eu li, Juju.

  2. s. Says:

    PS: a minha tática para ver gente todos os dias (e sair de casa também significava não trabalhar de pijama, o que é muito saudável) era almoçar na casa da minha mãe. Comida caseira,saudável, de grátis e nem precisava lavar a louça, haha, muito bom. Difícil era voltar pra casa depois.

    • juborges Says:

      Essa tática é ótima. Eu tenho casa da avó que eu uso muito, mas o problema é que agora não somos mais vizinhas.

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