O dentro e o fora. E umas férias para este blog

O caroço de abacate que morava dentro de um copo de plástico em cima da minha geladeira ficou semanas sem se manifestar. Por dias e dias, nada aconteceu. Eram só ele e aqueles três palitinhos de dentes meio toscos que o deixavam metade submerso, metade para fora.

E aí um dia foi uma explosão, um arroubo de vontade. Uma raizinha logo virou uma rede de fios embaixo d’água e aquele talo parecia dobrar de tamanho a cada dia. Logo vieram duas folhas, depois, mais duas, depois eram já oito. Aquela casa-copo passou a ficar pequena e o pé – sim, ele agora é um pé, não mais uma semente – mudou-se para um vaso na varanda.

A natureza funciona nesses ciclos como o do abacate. A energia ora está para dentro, ora para fora. O caroço de abacate, por exemplo: era como se, durante aquelas semanas todas que ele ficou imutável, ele estivesse reunindo suas forças, processando suas energias, preparando-se para ir ao mundo. E, subitamente, toda aquela energia externaliza-se e o pé vence a casa do caroço. Aí, sim, ele ganha o mundo.

Os nossos movimentos seguem os movimentos da natureza. Tem hora que nos jogamos para o mundo e explodimos feito o caroço do abacate, assim, de uma vez. Outras vezes é hora de ficar voltado pra dentro, remexendo, cozinhando o caldeirão, reunindo a energia, sem dissipá-la.

No último ano, eu fui toda voltada para o mundo – e por isso escrevi feito uma maluca. Foi terapêutico, uma catarse, um vício, uma necessidade, acima de tudo. Mas agora as energias estão noutro movimento. É hora de ficar quietinha um pouco, só eu e meus pensamentos. Na verdade, eu, meus pensamentos e minhas ações. Estou preparando um novo projeto. O trabalho é muito. As 100 mil ideias por minuto vão sendo transformadas em 2 ou 3 ideias concretas que fazem parte de um mesmo projeto. Um projeto de longo prazo, que tem tudo a ver com quem eu sou, onde eu caibo, onde eu não caibo, o que eu gosto e, principalmente, tem a ver com o que eu acredito.

Em breve, estarei de volta ao lugar que eu adoro e que quase ninguém conhece ou se interessa. Vou ver outros países, outra cultura, tentar descobrir os pontos convergentes, tentar mostrar e, principalmente, entender que nem tudo é uma coisa só.

Por isso tenho escrito pouco. Por isso meus últimos posts têm sido fotográficos, não escritos. Por isso esse blog vai ficar um pouquinho em banho maria, igual ao abacate se preparando para nascer novamente.

Quem quiser espiar no que estou me metendo, vá no site da Tás a Ver. Tem algumas pistas. A medida que as coisas forem dando certo, vou contando.

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