Águas da Ilha

Essas águas são as mesmas que banharam as terras que minha bisavó nasceu, que minha avó e seus nove irmãos nadaram enquanto na terra não havia estrada nem carros e quase não havia casas, apenas a delegacia, a igreja, o pontão e uma ou outa coisa. Eles comiam pão quente com manteiga no pontão e as águas eram bem pouco iluminadas, pois a cidade que ficava do outro lado do canal era ainda pequenina. São as águas que meus avós olharam quando namoravam, que meu pai brincou com seus montes de primos na praia que antes do porto tinha uma areia comprida na frente, que meus pais que meus avós olharam quando namoravam.

São as mesmas águas calmas que eu aprendi a nadar, que meus irmãos aprenderam a nadar e que à noite ficam brilhantes por causa dos plânctons.

São essas águas que me revitalizam carregam as baterias pelo menos uma vez em cada mês, sobre as quais eu me deito e olho o céu e os morros. Os morros têm cada vez mais casas.

Essa é a água mais familiar que eu conheço. É a água que eu poderia chamar de casa, se desse para chamar alguma água de casa. Ou de mãe.

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4 Respostas to “Águas da Ilha”

  1. Renata Says:

    Queria escrever lindo assim…

  2. Maria Says:

    Ju, continua o texto falando de como as aguas serão abaladas com o porto!!!!! Beijos

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