Pode entrar

Casa é uma das melhores coisas que existem. Dá um sentimento bom quando temos a nossa e quando a nossa está aberta para as pessoas queridas entrarem e se sentirem em casa. Também é bom quando vamos às casas das outras pessoas e percebemos como cada casa conta uma história.

Eu lembro bem da sensação de quando minha primeira casa surgiu, toda meio vazia, lá na rua são manoel, 264, há uns quatro anos e tal. Naquela época eu entendi que casa não é uma coisa objetiva, dessas que vc se muda e elas passam a existir. Ela é uma construção, ela vai nascendo com o tempo, é construída e desconstruída cada dia um pouco. Ela pode tanto mudar de endereço e continuar sendo a mesma quanto continuar no mesmo endereço e virar outra casa. Pois o que importa não é o nome da rua ou os números, é o que e quem se passa ali dentro.

Quando eu viajo, uma das minhas coisas preferidas é ficar na casa das pessoas. Acho que assim é bem mais fácil e gostoso de entender o que acontece ali naquele outro uiniverso. O que está na parede, como é a parede, o que está jogado pro escanteio, o que está faltando, o que está sobrando, o que se está escutando, como as toalhas são dobradas, como os objetos são guardados, tudo isso conta sobre um lugar, uma pessoa, uma família.

Nesse meu carnaval eu passei alguns dias na casa da Cely, que mora na comunidade de Barbados, que fica a 4 horas de barco de Paranaguá, tem 15 famílias e fica dentro do Parque Nacional do Superagui, no litoral do Paraná. Era uma casa de madeira, com dois quartos, duas lâmpadas iluminadas por um painel solar, um pôster do Leandro e Leonardo e muitas bonecas penduradas na parede, lençois fazendo as vezes de cortina, enormes caixas de som, escritos de crianças atrás dos móveis, dois gatos sempre espalhados pelos tapetes de crochê, a água da pia que não parava nunca de correr, pois vinha de um riacho, quase sempre irrigando uma bacia de camarões frescos, uma mesa de madeira na cozinha, um banheiro do lado de fora, vários boa-noite (que são aqueles espirais de espantar mosquistos) espalhados pelo chão e uma vista linda do mar, que sobe e desce tanto todos os dias que as crianças não dizem tomar banho de mar, mas sim, tomar banho de maré.

A casa da Cely me contou muito sobre ela, sua família, seu povo, sua história, suas dificuldades e suas aspirações. Acho que nem se ela tivesse ficado o carnaval inteiro me explicando eu teria entendido tão bem como entendi domrindo, acordando, comendo e participando da casa dela. Ficaria muito fleiz se, da próxima vez que eu fosse lá, além de todas essas coisas que eu encontrei penduradas na parede, eu visse também as fotos que eu tirei e que ela vai receber por correio.

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2 Respostas to “Pode entrar”

  1. Té la mà Maria Says:

    very good blog, congratulations
    regard from Reus Catalonia
    thank you

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