Gato que brincas na rua

Gato que brincas na rua
Como se fosse cama,
Invejo a sorte que é tua
Porque nem sorte se chama.

Bom servo das leis fatais
Que regem pedras e gentes,
Que tens instintos gerais
E sentes só o que sentes.

És feliz porque és assim,
Todo o nada que és teu.
Eu vejo-me e estou sem mim,
Conheço-me e não sou eu.

Esse poema foi escrito Fernando Pessoa em 1931.

Hoje, o Flávio Motta, um dos senhores mais sábios e intuitivos que existem no mundo (segundo a Marilia — e se ela ta dizendo eu assino embaixo), declamou esse poema para a própria Marilia. A Marília, que anda numa sintonia danada com o seu coração e, que, por isso, está sempre perto do Flávio Motta e anda a pintar coração para as pessoas queridas, mandou esse poema para algumas pessoas que receberam seus corações para dizer um tchau, já que amanhã ela vai passar uma temporada na floresta incomunicável. Eu, que achei esse poema lindo, agora gostaria de dedicá-lo ao meu amigo Zé Maia, que também tem um coraçãozão enorme e está lá longe, do outro lado do mar, do outro lado do continente, num lugar chamado Maputo, de onde ele acha que quer partir e onde eu acho que quero chegar.

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