Uma viagem com outra viagem

Foram 15 dias quase ininterruptos de lágrimas, uma espécie de funeral antecipado. Um enterro de uma vida que já não me cabia mais, mas que, até então, vinha sendo minha vida. E era boa a vida, por isso foi complexo e doloroso fácil me livrar dela.

Foi assim que, quase dois anos atrás, eu coloquei umas roupas, uns remédios e uns livros na mala e fui para Angola trabalhar, viver, me divertir, conhecer, me apaixonar, me transformar, me desconstruir.

Não foi fácil viver essa vida com dois chips que não conseguiam conversar. Era um eterno e doído cabo de guerra interno. E é em horas como essas que acontecem os rompimentos. Rompimentos de pessoas, de chips, de vidas passadas e presentes, de comportamentos, de sentimentos. O rompimento é difícil, pois somos acostumados aos padrões.

Mas depois dos rompimentos há as reconciliações. Elas podem demorar a aparecer, mas uma hora elas vêm e fazem os oceanos diminuírem, os opostos serem relativizados, as arestas serem aparadas.

***

E agora chega a hora de uma nova viagem, uma viagem importante, para esse mesmo lugar que eu fui depois do funeral antecipado, mas agora com um projeto que nasceu da minha própria cabeça e cresceu com minhas próprias mãos.

As lágrimas não existem, nem o funeral, nem a terapia, nem eu acho que vou ter que escolher entre uma coisa e o seu contrário, pois, dessa vez, me parece que está mais fácil conversar com todas essas julianas opostas que habitam meu coração.

Hoje, sinto que há apenas esse nervosismo bom que antecede uma partida e o cansaço de uma vida que anda agitada: o mudo infectado, a moto amarela circulando pelos ônibus e avenidas e fumaças da cidade, as pessoas novas, projetos virando gente grande, o retorno de saturno, o inferno astral.

E aí o melhor jeito que eu encontrei para me preparar para essa viagem foi fazendo uma outra viagenzinha lá para aquela ilha que tem cheiro de casa. Porque eu acho mais fácil de desligar me religando com a natureza, e lá na ilha dá para fazer isso.

Tentarei ficar um pouco quieta, concentrando as energias que dentro em breve serão ativadas com força máxima na cidade mais suave e frenética que eu conheço.

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2 Respostas to “Uma viagem com outra viagem”

  1. prosadora Says:

    vai, amiga. vai com tudo!!!!!!!!!!!
    beijos

  2. octavio Gordo Says:

    Força ai nessa nova fase.

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