Desrepresou

Quando os planos, subitamente, viraram outros, não por que eu quis, mas pelo silêncio das pessoas outras que quiseram, eu tratei logo de rearranjar os planos, de renegociar, de repensar, de reentender o aquela mudança imposta pelo silêncio continha de bom. Não foi exatamente simples, muito menos indolor. Afinal, eram planos antigos aqueles, grandes, consumiram minha energia mais profunda. Eles continuam planejados, só seguiram um outro caminho, mas ainda estão na direção esperada e é isso que importa.

Quando uma ligação telefônica me chamou para resolver um problema irresolvível e que não me pertence, eu imediatamente paguei a conta, entrei num táxi, compartilhei a responsabilidade e fui de encontro ao problema, sem me dar conta naquele momento de que ele não me pertencia. Isso eu só entendi depois que o furacão passou e que meu cérebro voltou a funcionar. Minha presença ali naquele triste e decadente palco, de gente dependente das suas próprias loucuras, não era absolutamente necessária. Nem eu queria estar lá.

Quando, todos os dias, eu atendo o telefone para ouvir uma enxurrada de problemas que também não me pertencem e também não me interessam porque, de início, não sou conivente com suas origens, eu escuto, escuto, escuto e finjo para mim mesma que eles não me tocam. Depois desligo e continuo meu dia.

Quando eu faço um convite sincero para um almoço com objetivo de tentar fazer com que coisas que me machucam não me machuquem mais e, mais uma vez, recebo a réplica naquele tom agressivo que faz mais mal a quem o profere do que a quem o ouve, eu abro a porta e digo tchau.

Quando, no táxi que me leva de volta para casa pelo dia branco e denso da marginal, eu entendo que naquele avião já não havia lugar para mim, as lágrimas de todos os outros quandos não chorados descem todas juntas, fortes, incontroláveis. É, acho que andei me esquecendo (de novo) de que não sou uma super mulher.

Ainda bem que já está na hora de desfrutar dos meus 30 dias de merecidas férias, longe de todos esses quandos, perto de todas as surpresas que o acaso gosta de aprontar com a gente!

Tchau, até o ano que vem!

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Uma resposta to “Desrepresou”

  1. Papi Says:

    Mais uma vez, parabéns pela redação e pelo modo de encarar as coisas. Teconheço muito bem!!!!! Boa viagem e aproveiteeeee!!!!!!
    Papi

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