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Águas da Ilha

07/12/2009

Essas águas são as mesmas que banharam as terras que minha bisavó nasceu, que minha avó e seus nove irmãos nadaram enquanto na terra não havia estrada nem carros e quase não havia casas, apenas a delegacia, a igreja, o pontão e uma ou outa coisa. Eles comiam pão quente com manteiga no pontão e as águas eram bem pouco iluminadas, pois a cidade que ficava do outro lado do canal era ainda pequenina. São as águas que meus avós olharam quando namoravam, que meu pai brincou com seus montes de primos na praia que antes do porto tinha uma areia comprida na frente, que meus pais que meus avós olharam quando namoravam.

São as mesmas águas calmas que eu aprendi a nadar, que meus irmãos aprenderam a nadar e que à noite ficam brilhantes por causa dos plânctons.

São essas águas que me revitalizam carregam as baterias pelo menos uma vez em cada mês, sobre as quais eu me deito e olho o céu e os morros. Os morros têm cada vez mais casas.

Essa é a água mais familiar que eu conheço. É a água que eu poderia chamar de casa, se desse para chamar alguma água de casa. Ou de mãe.

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Canastra

04/11/2009

Canastra

E de repente tudo é novo de novo. E divertido. E, principalmente, surpreendente. E surpreendente é bom, porque a gente nunca pára de aprender. E eu mais uma vez vejo que é só baixar a guarda que tudo flui, pois é fluido. Não precisa pensar demais: fazer é sempre melhor. A cabeça não fica do tamanho de uma melancia e não dói. O corpo gasta as energias e sabe o que faz bem para ele. A Nina Simone canta e o Sublime também. E o Cartola, o Chico, a Nação Zumbi, a Billie Holiday e até o Zé Ramalho, esse que eu não escutava há tanto tempo. Todos cantam enquanto o tempo passa no meio do mato e das cachoeiras. A água que corre pelas pedras lisas e geométricas tem aquele barulhinho bom que me faz lembrar a casa da minha mãe, que é na beira do rio e tem esse barulho que ocupa o cérebro e não deixa a gente pensar em nada.

Os brinquedos são as câmeras fotográficas – e tem a câmera de filme também agora – e as bicicletas. Tudo sob o sol, o suor, a poeira e o protetor solar. Nem todos entendem de todos os brinquedos, mas cada um vai aprendendo aos poucos. Eu ganhei uma blusa rosa e linda que seca rápido. E descobri que selim é o banco. E que caraminhola ou caramanhola ou algo assim é a garrafinha de tomar a água. Mas mesmo sem saber esse nome eu tomei bué (agora é maningue, tenho me acostumar com essas gírias moçambicanas, já que por esses dias aí darei um pulo lá), pois o tempo é quente e seco. E eu corri, pedalei, escalei, nadei, fotografei, diverti. E todos os dias dormi feito pedra, com o corpo saudável, cansado e quente.

Água embaldada

15/12/2008

Água encanada é coisa ainda rara para os moradores de Luanda. Na maioria dos bairros e musseques, para tomar banho, lavar louça, tocar a descarga e lavar roupa é preciso comprar água embaldada. Numas praças ou avenidas centrais há sempre uma aglomeração de baldes e pessoas, como essa daqui.

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