Posts Tagged ‘amizade’

Há dias que levo o coração comigo

08/06/2010

Sobre a sincronicidade

Enquanto, na Bahia, a cena desse post aí embaixo acontecia e virava poesia, em São Paulo ou na Barra do Saí, a Marilia produzia esse coração.

Em breve todos esses corações de pessoas que não deixam o coração em casa estarão reunidos num projeto cujo tema, a justificativa e o jeito de trabalhar são o afeto.

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Amigas de bolinhas

19/07/2009

bolinhas

Quando a C. Chegou da China, mais ou menos um mês atrás, ela fez que nem eu: só sabia chorar e estranhar tudo a sua volta. Ela passou sete meses morando lá nesse outro mundo que é o Oriente. Estranhou a comida, os hábitos das pessoas, a imensidão de pessoas e o casamento. Aprendeu bué de coisas sobre viver longe e viver junto e se adaptar e não se adaptar.

Quem passa por coisas assim, quando volta para o mundo antigo, não acha mais o mundo antigo nada igual. E isso é doloroso e bom.

Mas nesse fim de semana nada dessas questões profundas foram importantes. Na feijoada lá na casa dos pais da C., que fica no mato, tem silêncio, cachorros, tucanos, pererecas, tartarugas, árvores e ar puro, só falamos besteira. Depois, aqui na capital, vimos uns programas da mtv, comemos cachorro quente, vestimos roupas de bolinhas e fomos pra uma balada. No dia seguinte, dormimos até tarde, falamos mais besteira, fomos assistir Era do Gelo 3 em 3D, fizemos macarrão a bolonhesa e continuamos assistindo coisas bobas na TV.

Por isso que um amigo é a coisa mais legal que existe. Porque a gente conversa sobre coisas sérias, mas também esquece os problemas e as coisas sérias e pode ficar só falando besteira e vivendo.

O último tango em Luanda

14/07/2009

A saudade do dia

10/07/2009

kota50

Pois agora estou a escrever esse tal de livro. E aí quando eu pego umas horas para fazer isso a saudade das coisas bate bué. Hoje a saudade foi do Kota 50, um grande homem, um grande amigo.

Ela sabia que eu gostava de jinguba. Então sempre trazia um saquinho pra mim e pros outros cambas na redação. E sabia também que eu gostava de manga. Então, quando era época de mangas, muitos dias eu encontrava uma manga bem linda mesmo ao lado do meu computador. Ele comia manga com casca e tudo. Ele descobriu que eu gostava de cuidar das plantas e queria deixar aquela guest house com mais cara de casa e menos com cara de guest house. Então começou a andar na rua atento para mudas de cactos, temperos ou babosas ou outros pés de coisas que ele pudesse tirar e me presentear. Deixava sempre em cima da minha mesa, embrulhadinha, e eu levava as plantas para casa e colocava no vaso, que era um balde ou a parte de cima de um vaso sanitário abandonado, toda feliz.

Ele sabia também que eu gostava de desbundar e tinha sede de conhecer tudo o que meus olhos alcançavam ou ouviam falar ou nem sabiam que existia. E por isso foi com o Kota 50 que eu passei muitos dos momentos mais alegres da minha vida em Angola. Foi por causa dele que eu sempre tinha companhia para fazer os programas que para mim eram os mais incríveis, mas para quase toda outra gente não fazia muito sentido. Ir ao Roque, ficar 2 horas no trânsito em Viana depois de uma chuvarada, atravessar uma rua tão alagada que esconde o farol para poder chegar num alembamento, a cerimônia de pedido de casamento, ver putos a dançar kuduro, ir comer peixe ou funge na Mutamba, ver exposições de arte, fazer degustações de vinhos e ir em funeral.

O Kota foi lá no aeroporto só para me dar um último abraço de tchau. Chorei bué. Ele sempre me pergunta quando eu vou voltar. Um dia eu volto, Kota.

Eu to bem, e você?

17/06/2009

Eu não tenho carteira assinada, não tenho Ipod, nem tapete no chão gelado de cimento queimado, nem a mesa legal que compramos juntos. E nem outras coisas mais. E, a partir de hoje, nem som no carro, pois alguém fez o favor de entortar a porta do pobre do corsinha e levar o som, alguns cds e o controle remoto do portão. Mas tudo bem. O mecânico colocou a porta de volta igual médico coloca de volta braço de criança quebrado, assim no tranco, de uma vez.

Eu não tenho essas coisas e tenho pouco dinheiro, mas tenho uns frilas, tenho tempo livre, tenho minha casa de volta, assim meio transformada, tenho uma roomate e tenho a Olga, que dorme em cima de mim. Se bem que ultimamente ela decidiu que quer acordar às 3h da manhã e fica me chamando para acordar com a patinha toda delicada no meu ombro. Aí eu coloco ela pra fora do quarto e fecho a porta, só que às vezes o sono se perde no meio dos pensamentos que acordam. Eu também virei dona do meu tempo e posso ir ao mercado às 11h30, quando só existem velhinhas desocupadas que gastam horas na fila do açougue fazendo um monte de exigências ao pobre do açougueiro, como o tamanho dos pedaços dos cubos, o número de vezes que tem que moer a carne e o tipo de bandeja e de plástico que envolvem a carne, e ficam me dando dicas das marcas que elas gostam, das que são caras e das novidades. Eu continuo indo na terapia e tendo sonhos auto-explicativos. E agora gosto de correr, além de fazer yoga. Também posso viajar durante uma semana inteira.

E a minha amiga C. voltou da China ontem e, além dela, por aqui tem bué de amigos que me divertem sempre e me fazem ter sempre certeza de que ter amigos é umas das coisas mais legais que existem na vida. Quando eu penso isso fico com saudade de um monte de amigos de Angola.

Agora que eu to fazendo todas essas coisas normais que eu acabei de contar, voltei a ter vontade de ler e continuo com vontade de escrever. E, como tenho algum tempo livre, eu escrevo e me divirto com isso.

E agora que eu gosto de escrever e escrevo e gosto de ser dona do meu tempo e sou e gosto de Angola e fui morar lá, parece que só dá mais vontade de ficar fazendo as coisas que eu gosto mesmo, mas gosto de verdade. E as coisas que eu gosto ou foram mudando ou foram ficando mais claras nos últimos tempos. E as que eu não gosto também. Por isso está me dando uma vontade de trabalhar com outras coisas que não sejam as redações, essas que existem por aí e que tanto sugam e envelhecem e emburrecem as pessoas.

Que legal. Acho que estou feliz.

Tchau, Branquela D’Angola

20/01/2009

branquelaPoxa, hj é o último dia da minha amigona Branquela D’Angola em Luanda. Ela explica muito lindamente suas razões de partir no seu derradeiro post.

A Branquela me apoiou muito e sempre, desde a minha chegada em Luanda. Era lá no quarto dela que eu ia chorar de saudade do marido, de angústia, de medo, de frio na barriga, de revertério, de qualquer coisa. E ela sempre me ouvia pacientemente e sempre falava coisas sábias e simples, que sempre estavam certas.

Depois que eu me acostumei melhor com a vida em Luanda e passei a achar tudo divertido, era no quarto dela que eu ia bater pra que ela deixasse seus livros e diários de lado pra ir pra praia, pro karaokê, pro Aldar comer fahitas, pro Elinga, pro Roque, pra casa de alguém, pra alguma festa, pra algum programa, pra tomar sorvete, pra ir pro mercado, pra ir pra qualquer lugar. Eu insistia tanto que muitas vezes eu acho que ela ia só pra eu parar de insistir. Aí geralmente acabava sendo bom, porque nossas andanças pela cidade sempre eram bem divertidas.

Só teve um dia que ela ficou brava mesmo comigo. Foi quando saímos do karaoke e fomos direto pro Kings, um bar-balada-sinuca. A Branquela bem que avisou que não queria ir, mas não demos ouvidos e a levamos mesmo assim. Bad idea. Ela ficou furiosa, com aquela cara de brava que mete medo em todos. Esse dia aprendi bastante sobre a Branquela. No dia seguinte eu pedi mil desculpas e disse que não faria mais. Deu tudo certo. Ufa.

Bom,  a Branquela está de partida e eu nem estou lá pra acalmar o nervosismo dela igual ela acalmou o meu antes das minhas férias. Mas pelo menos vou tentar retribuir fazendo uma recepção no aeroporto de Congonhas. Vou recebê-la com um abraço beeeeem apertado, desses de amiga mesmo.