Posts Tagged ‘angústia’

Terremoto

27/07/2009

Eu tento começar tudo de novo, bem devagarzinho, tijolinho por tijolinho, cuidando bem de tudo. Aí vem um terremoto e em instantes ele destroi toda a parede que tava começando a se levantar. Droga. E eu perco o chão mais uma vez. E eu me sinto sozinha e desprotegida no mundo mais uma vez, mais do que nunca. E eu fico cansada de mais uma vez ter que começar tudo de novo. Sozinha. Sozinha.

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Crise dos 30

30/06/2009

Ei, alguém sabe se dá pra ter crise dos 30 com 27 anos? Se der, acho que estou nela. Se não der, vou repensar minha vida com 27 anos para depois ter que repensar tudo de novo com 30. Ai, meu deus, que trabalheira.

A China nunca acaba

22/03/2009

É um pouco aflitivo começar a perceber a dimensão da China. Shenzhen é uma cidade qualquer do país. Não tem nada de especial, não é o centro do crescimento econômico, não é imponente, não tem graça nenhuma. E é justamente por ser um lugar tão normal que eu fico impressionada.

Shenzhen tem qualquer 10 milhões de pessoas, como dezenas de outras cidades chinesas. Tem uma avenida com dezenas de quilômetros e centenas de lojas e milhões de pessoas andando pelas ruas e comprando roupas baratas, celulares, sorvetes, óculos, celulares, acessórios. Tem centenas de novas pontes, avenidas, prédios, escolas sendo construídos ao mesmo tempo 24 horas por dia, 7 dias por semana, como em dezenas de outras cidades chinesas. Essa avenida de dezenas de quilômetros cruza vários bairros enormes e idênticos com centenas de prédios altíssimos que deixam até mesmo quem nasceu em São Paulo olhando pra cima de um jeito meio caipira. Cada bairro parece uma grande cidade que poderia estar em qualquer lugar do mundo, mas é só mais um bairro de mais uma cidade chinesa.

Eu fico um pouco angustiada em pensar que todo esse concreto e essa velocidade e esse monte de gente é só uma pecinha pequena e repetida de um país gigante chamado China.

Os amigos

29/01/2009

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Essa coisa de rechegar em Luanda, de sentir novamente todas as angústias de ter de interromper coisas muitíssimo importantes no Brasil, ter de se readaptar aos horários, ao sentimento de saudade, aos barulhos, às ruas e calçadas sempre tão cheias de movimentos e cheiros e a todas as outras coisas que uma mudança tão brusca te obrigam a se readaptar não é muito fácil. Os primeios dias são meio atordoantes para mim. Da outra vez foi assim e dessa está sendo também. Fico nervosa, sem apetite, como mal, minha cabeça dói, fico agitada, triste, sofrendo, querendo parar com essa história de ficar na África e pensando em qual é a melhor maneira de conseguir embarcar no primeiro voo pro Brasil. Depois de uns dias isso passa e eu volto a ser a Juliana de sempre (que não é assim tãaao calma nem tão serena nem tão orientada nem tão centrada, como vcs bem sabem).

Só que dessa vez está sendo um pouco mais fácil lidar com isso por causa dos amigos daqui. O Kota 50 me liga umas oito vezes por dia pra saber onde estou, se estou bem, se quero almoçar com ele, se quero companhia. Ele me paga cafés e tostas e traz  jinguba da rua. O chefe peixe ficou meio assustado porque eu tava a chorar no almoço e fica a me dizer coisas doces e alegres a todo o tempo. Ele e a Graciete vão me levar para uma festa de família no sábado à tarde pra eu não ficar sozinha nessa casa enorme. A Fina fala pra eu dormir esses dias na casa dela. Eu passo lá depois do trabalho e fico horas falando besteira com ela, o namorado e a prima, que é a mais noveleira que eu já vi. P. já esta combinando o que faremos na sexta-feira. V., meu vizinho de baixo, trouxe um vinho e presunto cru outro dia pra gente comer com minha macarronada. Na redação eles me fazem rir o dia inteiro. J. e eu vamos tomar nosso sagrado café na pastelaria Nilo e é sempre muito divertido. Nossa, isso ajuda demais.

Quando estou de saco cheio

05/11/2008

Quando estou de saco cheio porque o fechamento não acaba e não tem perspectivas de acabar, quando estou de saco cheio porque o motorista resolveu, por conta própria e sem comunicar ninguém, abortar a pauta que seria feita no Cacuaco porque há engarrafamento, quando estou de saco cheio porque uma rua que só tem uma mão, mas carros enormes que vêm dos dois sentidos se amontoam de um jeito que demora mais de 20 minutos para passar, quando estou de saco cheio porque uma das tantas conseqüências de tantos anos de guerra é que as pessoas não são acostumadas a trabalhar o dia inteiro e simplesmente desaparaecem quando querem sem dar satisfação e o trabalho acumula e quando estou com o coraçãozinho apertado de tanta saudade das coisas que ficaram do outro lado do oceano, vou até o terraço da nossa redação tomar uma brisa fresca que vem do mar que está próximo. Não fumo, mas é como se eu ficasse lá esperando pensativa o cigarro se fumar sozinho.

Já postei umas fotos do terraço. Mas acho que essa aqui descreve melhor como me sinto hj.

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