Posts Tagged ‘Ásia’

Agora tudo misturado

27/04/2009

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BEM-VINDOS A MACAU. Na hora em que aquelas letras enormes da placa na saída do ferry boat me disseram aquilo, eu nem me dei conta elas falavam na mesma língua que eu. Foi só depois que eu comecei a ler outras placas em português explicando como as pessoas deveriam proceder na imigração que eu comecei a achar tudo aquilo engraçado. Continuei achando tudo muito engraçado quando peguei o autocarro público, desci na avenida almeida ribeiro, na frente do largo do Senado, que tem uma fonte, a santa casa de misericórdia e uma igrejinha católica, e aquele lugar era a China, e não São Luis do Maranhão, Luanda ou Cidade do Porto.

Não foi de caso pensado. Mas o último lugar que eu fui parar antes de voltar para casa dessa viagem incrível e desplanejada que começou há alguns meses foi como pegar todos os lugares em que eu pisei ultimamente e bater bem no liquidificador.

A mão é inglesa, o dinheiro é hong kong dollar, a língua oficial é o português, o cheiro é de pastel de belém, a arquitetura é a que meus olhos estão acostumados, a língua é o mandarim, e as pessoas, o ritmo, a quantidade de gente na rua, as lojas, todo o resto é é chinês. O dumplin é de bacalhau. A pastelaria vende pasteis de belém junto com um tipo de chiclete de linguiça que os chineses adoram. O seu artur tem barriga de português, jeito de português, sotaque de macau, tem olhos rasgados, morou no brasil e casou com uma filipina. As ruínas, que são de um santuário que faz homenagem aos desbravadores que colonizaram e catequizaram Macau, ficam bem ao lado de um templo budista chinês que tem sempre incensos acesos à porta muitos chineses rezando, assim como inúmeros outros que eu vi em Bangkok, Krabi, Xian ou Hanoi. A Pharmacia vende remédios do ocidente e camarões secos, poções, emplastos, folhas chás e outras coisas da medicina chinesa.

Sumol de laranja, sandes, tostas, prego no pão e outros nomes portugueses que no português do brasil soam todos estranhos para mim soaram familiares porque me levaram imediatamente para Luanda, onde íamos na pastelaria Nilo do Zé Pirão (que não é o nome de um restaurante, mas o nome de uma esquina) comer tostas de queijo ou no Amarelinho comer prego no pão. Prego no pão também me lembra o rep ráuor da redaçao do Jornal de Economia e Finanças, pois naquele dia comemos bué de prego no pão e éramos felizes e não sabíamos porque tínhamos um chefe mais ou menos normal, e não um senhor incompetente e autoritário de cabelos acajus que dá ordens burras e estúpidas a todo tempo e tem uma mania de perseguição tão ridícula que chega a ser engraçada.

A companhia, as risadas e as bochechas da C. que me acompanharam por aquele liquidificador de cidades que na verdade era uma cidade só me fizeram sentir mais uma vez como uma das coisas mais legais do mundo é estar ao lado dos amigos e como é reconfortante saber que os amigos estão por todas as partes do mundo.

Acho que não ia encontrar lugar melhor no mundo para passar o último dia antes de voltar para casa.

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Drama

25/04/2009

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De ponta cabeça

25/04/2009

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Em Macau

Fotos enquanto espero

21/04/2009

Já dormi, já acordei, já arrumei a mala e ainda é de manhã. O vôo é só a noite e a C. foi buscar o visto dela pra voltar pra China. Enquanto espero, toda nervosa, coloco aí umas fotos de Sapa, no Vietnã, pra vcs olharem.

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Hong Kong é no Ocidente

20/04/2009

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Um mês e pouco atrás, quando meus olhos pisaram pela primeira vez em Hong Kong, eles acharam as letras, as línguas, os gestos, os códigos, as comidas e os cheiros bem esquisitos e diferentes de todas as referências passadas. Sim, eu estava na Ásia e todas aquelas coisas desfamiliares me diziam isso. Agora, depois de ter andado um pouco por aí (um pouquinho que não é quase nada para o tamanho e a variedade da Ásia), meus olhos voltaram novamente a pisar em Hong Kong ontem a noite.

Eu sabia onde era a fila da imigração, que para chegar na Nathan Road era só pegar o ônibus A21 que custa 33 hkd, sabia até onde era a bilheteria e mais ou menos onde o ônibus ia parar. Acertei até o ponto que eu tinha que descer.

Ainda não me acostumei totalmente com os carros vindo na mão errada, mas já não pareço tão idiota atravessando a rua, já não me assusto mais que o albergue fica num prédio que tem escritórios baratos, putas, gatos passeando, encanamentos vazando, camelôs, as placas dizem um nome mas os nomes verdadeiros são outros. Já também nem me impressiono mais com a enxurrada de indianos e árabes que colam atrás de você te oferecendo suits, copy rolex, cheap hostel, já sei que é tudo bem comer no restaurante que tem patos e galinhas sem pele pendurados na entrada, já não fico mais tão confusa quando as pessoas furam a fila ou correm para pegar o assento do metrô porque sei que aqui é assim mesmo, é gente demais. Já sei comprar tiquetes de metrô com moedinhas, também sei que tem que guardar o ticket para liberar a catraca na saída e que quando não tem troco é só ir numa cabine que um funcionário troca o dinheiro pra vc, mas nao vende a passagem. Sei também que as roupas aqui são todas de marcas, lindas e caríssimas.

Em Hong Kong não preciso comer só soup noodles, pois tem queijo feta ou outros queijos, massa e um starbucks em cada esquina. Não preciso fazer mímica igual louca. Não preciso comer na rua e nem sentar em mini bancos e nem ir em restaurantes que são também salões de beleza ou a casa das pessoas. Em Hong Kong quando eu saio de havaianas na rua me sinto maloqueira. Em HK as pessoas não param para tirar foto de mim e as placas são te ensinam a fazer tudo sem dificuldade.

Nossa, tudo está muito familiar aqui para mim. Hoje, Hong Kong para mim está no Ocidente.

O ultimo destino e a longa volta

15/04/2009

Nossa, nem acredito que estou escrevendo isso. Hoje parto, de trem, para meu ultimo destino antes da minha tortuosa volta ao Brasil.
Saio de Hanoi e vou para Sapa, uma regiao montanhosa e bucolica bem no norte do Vietna. Fico dois dias la.

Depois, o trajeto (todo ja comprado!), e o seguinte: Hanoi – Bangkok – Hong Kong (mais2 dias com minha amiga C.!) – Johanesburgo – Sao Paulo. Haja paciencia.

Sao Paulo. La as pessoas falam minha lingua, comem minha comida, escrevem nas minhas letras, falam coisas que eu entendo, fazem gestos que eu faco, beijam e abracam e escutam musicas que eu conheco. Apesar de todos os transformacoes, adaptacoes, finalizacoes e recomecos que eu tenho pela frente e que tenho mesmo certeza de que nao serao nada faceis, nao vejo a hora de chegar em casa.

Os lugares invisiveis da cidade

15/04/2009

Nao importa onde seja, quando a gente chega numa cidade ou em um pais novo a cabeca sempre fica meio atordoada, os olhos nao sabem direito para onde olhar, as ruas ficam labirinticas e os lugares parecem que ficam invisiveis.

Chegamos aqui em Hanoi e eu fiquei especialmente atordoada pelo barulho, pelo tetris motobilistico, pelas buzinas, pela quantidade de novas informacoes e de novas letras. Ontem, achava que a cidade nao tinha mercado e nem restaurantes. Mas hj ficamos andando pelas ruas e os restaurantes e mercadinhos estavam todos la. Eles so tem uma cara diferente da que estamos acostumados, e por isso ontem ficaram invisiveis.

Essa sensacao lugares invisiveis irem aparecendo com o tempo e bastante comum e eu ja a senti em varias outras cidades. Em Luanda isso me aconteceu com muitas coisas, como vagas de estacionamento, lugares de comprar verdura, de trocar dinheiro, janelas que vendem bebidas, etc, etc, etc.

Tetris motobilistico

14/04/2009

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Um infografista-reporter-fotografo da Folha que visitou Luanda usou uma expressao mto engracada para descrever o transito da cidade: aquilo la parece um tetris automobilistico. Vou pegar a expressao emprestada e dizer que Hanoi parece um tetris motobilistico.

Todas as ruas sao estreitas e tomadas por motos andando na mao e na contramao, com gente velha e gente nova a bordo, motos com gente carregando baloes, galinhas, caixas ou passageiros em cima, motos buzinando de um jeito atordoante para outras motos ou carros ou biciletas darem passagem,  motos passando realmente muito perto de tudo e de todos, motos avancando no sinal verde ou no sinal vermelho, motos tentando estacionar ao lado de outras motos ou onde houver um espaco na calcada, motos tomando todos os espacos e sons possiveis dessa cidade tao incrivel que e Hanoi.

A parte boa e que vc pode fazer parte desse tetris motobilistico e se locomover rapidinho, loucamente e quase de graca na garupa de um motoqueiro-taxista.

Os protestos em Bangkok que eu vi sem querer

14/04/2009

Fui parar meio que sem querer na Tailandia. Queria encontrar minha irma que mora na Australia em algum pais da Asia e a pasasgem para Bangkok era barata para as duas. Fui parar totalmente sem querer no ano novo tailandes, que aqui dura tres dias e comecou ontem, dia 13/4, quando as pessoas todas vao para a rua e passam o dia e a noite festejando e jogando baldes ou garragas ou copos ou arminhas de agua nas outras pessoas e passando um barro nas caras e nas roupas das outras.  No meio do ano novo tailandes, fui  parar mais totalmente sem querer ainda no meio de uns protestos para tentar derrubar o premier Abhisit Vejjajiva. (para saber o que esta acontecendo na tailandia clique aqui.)

Tudo aconteceu mais ou menos assim: com biquini por baixo da roupa e maquina fotografica pequenina dentro de um saco plastico, saimos para ver, conhecer, levar banhos de agua e lama e fotografar esse tal ano novo. Afinal, quem ta na Tailandia e pra se molhar. Pela primeira vez eu via tailandeses (e nao europeus) na rua e achava que tudo estava dentro de seu devido lugar.

Andavamos meio sem destino e ai comecamos a ver um monte de homens do exercito marchando por uma avenida que tinha uma das pistas fechadas. Eu, toda inocentemente, achei que era um desfile militar para comemorar o ano novo. Mas percebi quando nao era bem isso quandono ceu bem na minha frente apareceu uma fumacona bem preta e as pessoas na rua comecaram a correr na direcao oposta e a falar muito nervosamente coisas que eu obviamente nao entendi. Vi que as pessoas de vermelho (da Frente Unida por Democracia contra Ditadura, UDD) estavam queimando dois onibus numa praca e os militares estavam indo para cima. Os de vermelho revidavam e arrmessavam tudo o que e tipo de objetos para cima dos militares. Eu queria ir mais pra frente e minha irma queria ir mais pra tras.

Fomos um pouco mais pra frente e eu tentei perguntar para algumas pessoas o que estava acontecendo, mas elas todas me respondiam em tailandes. Ai encontrei um cara com cara de gringo, o unico por la alem de nos, e ele me explicou tudo. Ele era metade americano e metade tailandes e me contou tudo isso que a BBC ja contou pra vcs se vcs leram o link.

No dia anterior, os vermelhos da UDD ja haviam tomado a train station e as pessoas na rua comecaram a ficar meio apreensivas. Por causa do clima tenso, as festas tiveram que acabar mais cedo, as pessoas comecaram a voltar para casa tristes por essa confusao toda estar acotencendo bem num momento tao divertido e importante no calendario tailandes e os comerciantes ficaram bem nervosos porque essa confusao bem no meio do ano novo estava arruinando os seus lucros.

A noitinha, as fumacas negras dos onibus incendiados ainda estavam marcando o ceu laranja e quente. Quando a noite caiu, as carcacas do onibus estavam la sozinhas cheirando queimado naquela praca agora triste a vazia do centro de Bangkok.

Adoro free internet

14/04/2009

Cheguei hoje em Hanoi, no Vietna.

Estou num hotel que tem edredon branco, colchao de verdade, pia, descarga, cafe da manha e, o melhor de tudo: free internet!

Adoro free internet! E estou morrendo de saudade do meu lap top com minhas musicas, minhas fotos, minhas escritas e minha privacidade. Mas ja estou me dando por satisfeita de voltar a me reconectar com o mundo e voltar a blogar algumas coisas.

Queria contar um pouco sobre como na tailandia tem mais europeus do que na europa e como odiei isso, sobre protestos violentos com onibus queimados para derrubar o governo que ocorreram enquanto as pessoas felizes jogavam agua e barro umas nas outras para comemorar o ano novo, sobre o ano novo e como Bangkok parece com Sao Paulo e como Hanoi e incrivel e caotica e barulhenta mesmo para quem ja morou em Sao Paulo ou Luanda ou na China.