Posts Tagged ‘casa’

O céu rosa, a chuva e o deserto

10/10/2010

Ontem o céu de Luanda estava rosa, exatamente como o céu de São Paulo. Cidade estranha essa que eu nasci, que não dorme nunca e tem céu cor de rosa, não negro. Aqui do outro lado do mar caíram pesadas gotas do céu rosa e os passos das pessoas inebriadas dançaram sensuais e molhados numa esplanada do Alvalade.

A chuva.

A chuva tem cheiro bom.

A chuva quando vem forte me lembra da minha casa da infância. Ela vinha e levava a energia embora e aí o grande acontecimento da noite era a família reunida em torno do acender do lampião que ficava guardado no alto da dispensa e desse jeito de andar devagar com a vela equilibrada no castiçal improvisado para não apagar o fogo. Íamos dormir mais cedo e mais felizes.

No deserto do Namibe, onde eu estava ontem, a chuva quase não vem. Lá a chuva é a areia, que também cai do céu também e deixa tudo monocromaticamente amarelado: os sorrisos, os telhados, as casas, as ruas, as frutas, as folhas das árvores, o peixe, até o próprio céu. O amarelo só acaba quando começa o azul das águas imensas e geladas do mar. O amarelo, o azul e o silêncio.

No deserto os olhos podem repousar e as ideias podem momentaneamente decantar entre um céu rosa e outro. Entre uma etapa e outra. Entre um e outro lado do mar. É, eu to com saudade de casa.

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digam oi ao bacalhau

04/03/2010

Esse é o novo morador da nossa casa.
Quem toma conta dele é este simpático pinguim.

Este é o lírio

12/10/2009

Lembra do lírio? Ele é rosa e a luz do fim do dia que bate na sala é rosa. Aí fica assim, bonito. lirio

O lírio e o cacto

09/10/2009

lirio e cacto2

As plantas que vivem presas dentro dos vasos e das casas das pessoas morrem a toa. Falta espaço, falta luz, falta ar, falta carinho também, geralmente. Elas crescem pouco, ficam atrofiadas, tristes. Vêm das lojas todas lindas, cheias de botões e folhas novas, com embrulhos e fitas. Mas é pura aparência. Depois de uns dias, desmantelam-se, amarelam-se, murcham.

Eu fui criada no mato, com espaço, pés de frutas, azaleias que nunca param de crescer e trepadeira que cobre toda a parede da casa. Fui aprender sobre essa coisa de vasos há uns quatro anos, quando virei gente grande e fui morar lá no sobrado da rua São Manoel.

Percebi que não é a mesma coisa que ter um jardim de verdade, desses que os pés pisam na grama friinha e molhada e que os bichos passeiam. Mas que também é possível. Se as plantas forem cuidadas, elas vão que vão. Tem que cortar as folhas velhas. Revirar a terra. Colocar um adubo líquido que mistura uma dose pequena num monte dágua. Passar para um vaso maior.

Algumas não me dão bola e morrem. Eu fico um pouco triste e guardo o vaso e a terra para a próxima que sobreviver. Mas outras resistem e crescem. De repente, de uma planta que está ali na mesma, meio estacionada há meses, nasce um botão que cresce com uma vontade que eu nem entendo de onde vem, e surge uma flor linda.

Esses dias o botão do lírio que nasceu sozinho há menos de um mês abriu. O lírio é uma planta fresca, não é sempre que ele faz isso.

Enquanto o lírio crescia, o cacto foi ficando amarelo. Logo o cacto, que é forte, duro, resistente, independente, masculino. Não precisa nem cuidar. Quanto menos atenção, melhor. Ele só precisa de sossego e luz. Ainda tentei colocá-lo na varanda para ver se ele revigorava. Não teve jeito.

No dia que o botão cor de rosa e perfumado abriu, o cacto foi pro lixo, mortinho. Morreu de excesso de cuidado. Ou então porque, nessa casa, as coisas antigas, de energias velhas, que já não fazem mais sentido, não estão mais cabendo. E aí, por mais que demore, elas se suicidam, fogem ou são convidadas a se retirar.

lirio e cacto

Almoço

01/10/2009

Depois que vc aprende a reorganizar seu dia, sua cabeça e seus compromissos, trabalhar em casa é mesmo fixe.

Olha só meu almoço de hoje. Eu que fiz. Foi rapidinho. Ficou uma delícia. Foi baratinho. Sem fila e sem barulho. A salsicha é dessas chiques e boas. O verde é o espinafre e o outro é a salada de batata.

almoço

Festa no ap

12/09/2009

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A parte boa da história é que nessa casa moram três virginanos e tudo já está no seu devido lugar.

E.T. phone home

24/08/2009

Querido diário, hoje estou muito feliz porque tenho uma casa. Na minha casa tem tudo dentro: cama, plantas com flores, vinhos, quadros na parede, varanda, ingredientes, cubanita, sofá, mapa múndi, roomate, olga e até geladeira. E tem eu dentro. E essa foi a parte mais difícil. Ter eu dentro significa que eu moro numa cidade.  E eu morar numa cidade siginifica que eu escolhi morar, mesmo que seja pra desescolher no futuro longe ou próximo.

Leve

02/08/2009

flores

Hoje tem sol depois de muitos dias sem ele.

E eu to calminha, calminha. E escrevi mais uma partezinha do meu livro.

E eu não tenho geladeira em casa porque minha roomate foi embora derepentemente com suas coisas e sua geladeira. Mas eu não estou preocupada com isso. Levei as coisas para a casa do meu pai e comprei um vinho, um chocolate special dark, uma manteiga, um pão fresco e umas frutas que não vão na geladeira. E fui tomar café da manhã na padaria.

E eu vou comprar sal grosso pra espantar as energias negativas da casa.

E as minhas flores estão florindo porque eu voltei a cuidar delas, mesmo sem saber se elas vão continuar morando aqui. A orquídea já floriu, a violeta também e o bambu tem brotos novos.

E eu já estou de malas prontas porque vou passar  a semana no Rio de Janeiro.

O canto e o tempo de cada um

19/07/2009

Os planos são novos, foram moldados à força porque a vida é imprevisível e os caminhos mais certos podem ruir totalmente em minutos. Ou em um segundo. Porque isso acontece todos os instantes com alguém em algum lugar do mundo.

Com planos novos (ainda que bem incertos e confusos), a vida parece ser nova também. Mas a casa ainda é a antiga e a vista ainda é essa mesma aí de cima. E, para ela virar uma nova casa no mesmo endereço, isso demora um pouco. É uma transformação lenta, como a transformação das pessoas. A casa nova tem que nascer, as coisas que estão dentro precisam encontrar os seus novos lugares. A casa é uma metáfora de nós mesmos. Ela precisa de tempo para que os móveis e as energias entendam onde têm que ficar.

O escritório não é mais escritório, virou um quarto. E a TV de repente ficou sem quarto. E a casa ficou sem TV, porque a fonte queimou. Aí a TV voltou e ela não sabia muito bem se devia morar no novo escritório ou na nova sala, que na verdade quase nem é nova, só tem o chão mais gelado porque sente falta de um tapete, também não tem ipod e nem som e nem uma mesa bem descolada que ficava ali. Também tem um ou dois quadros a menos, mas em compensação ganhou uns apetrechos do mundo — uma máscara africana a mais, um pano lindo de Côte de Ivoire, uma mulher do Vietnã desenhada num fundo vermelho e uns pôsteres da China que ainda estão enrolados, mas um dia ficarão emoldurados e pendurados na parede.

A TV inicialmente queria ir para o escritório novo, afinal, ela sempre tinha morado no escritório. O escritório novo, por enquanto, não tem um tampo legal, apenas os cavaletes. O tampo é de compensado, mas vai virar uma obra de arte e vai ficar tão legal quanto o lagarto de madeira e colagens que fica também na sala.

Mas a TV não se mudou para o novo escritório nunca. Porque eu ainda estou me reacostumando com a rotina e com os espaços e com os vazios na casa. Aí entendi que, agora que muitas vezes estou sozinha, talvez ela me faça mais companhia na sala do que no escritório. Pronto, isso mesmo. Arrumei uma mesinha para ela morar, mudei a cubana e o cacto de lugar, empurrei o sofá e as coisas reencontraram seu novo lugar. Aos poucos as coisas vão se renovando.

Incapaz

11/07/2009

Hoje saí de casa para ir comprar um Nextel. Fui convencida de que o custo benefício de um nextel, no meu caso, é melhor do que ter um celular das outras operadoras. Mas aí saí da loja sem o raio do telefone. O motivo? O vendedor me falou que eu teria que assinar um contrato de um ano e que, se rescindisse antes disso, teria que pagar uma multa que começa em 700 reais e depois vai decrescendo.

Pode parecer idiota, mas eu me senti totalmente incapaz de assumir um compromisso de ter de ficar no mínimo um ano em São Paulo. Simplesmente não consegui, travei.

Ai, meu santo deus, na próxima encarnação eu quero nascer com uma mente mais equilibrada e/ou com os planetas dispostos de um jeito mais harmônico no meu mapa astral. Ninguém merece tanto conflito numa única cabecinha.