Posts Tagged ‘china’

Da série sonhos com manual

05/07/2009

Eu estava num prédio que era o lugar em que eu trabalhava, cheguei no elevador, trabalhava no sétimo andar, mas não sabia direito como chegar lá. Tive que pedir ajuda. Cheguei no sétimo andar, ali era a China e eu não tinha  a menor ideia de qual era a minha mesa de trabalho. Andei pelo corredor pensando que quando eu trabalhava na redação do JE, eu sabia onde era minha mesa. Cheguei para uma secretária e perguntei se ela por acaso lembrava onde eu sentava. Ela disse que não. Resolvi sentar num lugar qualquer e liguei o computador. Aí umas pessoas que trabalhavam lá falaram que eu tinha que reiniciar o computador e entrar com outro login. Quando fiz isso, a energia do andar caiu (alguém lembra de Luanda?) e eu resolvi sair com meu laptop para dar uma volta. Tentei falar pelo skype com um empreendedor social que eu havia entrevistado para dizer que eu queria que ele me contratasse para trabalhar com ele. Mas aí eu escrevia uma coisa e na tela aparecia outra, totalmente incompreensível, o que me deixava aflita. Enquanto isso percebi que tinha que entrevistar outros dois empresários para a Exame, mas tinha perdido a hora marcada. Resolvi voltar para o escritório, estava na marginal tietê e estacionei o carro na frente de um parque na China. Tinha umas velhinhas tentando descer as escadas desse parque e eu fui ajudá-las. Elas eram da família de uma das pessoas que trabalhavam comigo naquele lugar que eu não sei o que fazia e nem onde eu sentava. Aí perguntei se elas eram da família do Toniko, elas disseram que não. Perguntei se elas eram da família do Rubens, elas disseram que não. Elas eram da família de alguém que trabalhava comigo, mas eu não conhecia. Elas falavam muito sabiamente de um jeito chinês que eu entendia tudo, no final elas me deram uma tiara roxa com uma rosa rosa em cima e eu fiquei muito grata.

Agora tudo misturado

27/04/2009

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BEM-VINDOS A MACAU. Na hora em que aquelas letras enormes da placa na saída do ferry boat me disseram aquilo, eu nem me dei conta elas falavam na mesma língua que eu. Foi só depois que eu comecei a ler outras placas em português explicando como as pessoas deveriam proceder na imigração que eu comecei a achar tudo aquilo engraçado. Continuei achando tudo muito engraçado quando peguei o autocarro público, desci na avenida almeida ribeiro, na frente do largo do Senado, que tem uma fonte, a santa casa de misericórdia e uma igrejinha católica, e aquele lugar era a China, e não São Luis do Maranhão, Luanda ou Cidade do Porto.

Não foi de caso pensado. Mas o último lugar que eu fui parar antes de voltar para casa dessa viagem incrível e desplanejada que começou há alguns meses foi como pegar todos os lugares em que eu pisei ultimamente e bater bem no liquidificador.

A mão é inglesa, o dinheiro é hong kong dollar, a língua oficial é o português, o cheiro é de pastel de belém, a arquitetura é a que meus olhos estão acostumados, a língua é o mandarim, e as pessoas, o ritmo, a quantidade de gente na rua, as lojas, todo o resto é é chinês. O dumplin é de bacalhau. A pastelaria vende pasteis de belém junto com um tipo de chiclete de linguiça que os chineses adoram. O seu artur tem barriga de português, jeito de português, sotaque de macau, tem olhos rasgados, morou no brasil e casou com uma filipina. As ruínas, que são de um santuário que faz homenagem aos desbravadores que colonizaram e catequizaram Macau, ficam bem ao lado de um templo budista chinês que tem sempre incensos acesos à porta muitos chineses rezando, assim como inúmeros outros que eu vi em Bangkok, Krabi, Xian ou Hanoi. A Pharmacia vende remédios do ocidente e camarões secos, poções, emplastos, folhas chás e outras coisas da medicina chinesa.

Sumol de laranja, sandes, tostas, prego no pão e outros nomes portugueses que no português do brasil soam todos estranhos para mim soaram familiares porque me levaram imediatamente para Luanda, onde íamos na pastelaria Nilo do Zé Pirão (que não é o nome de um restaurante, mas o nome de uma esquina) comer tostas de queijo ou no Amarelinho comer prego no pão. Prego no pão também me lembra o rep ráuor da redaçao do Jornal de Economia e Finanças, pois naquele dia comemos bué de prego no pão e éramos felizes e não sabíamos porque tínhamos um chefe mais ou menos normal, e não um senhor incompetente e autoritário de cabelos acajus que dá ordens burras e estúpidas a todo tempo e tem uma mania de perseguição tão ridícula que chega a ser engraçada.

A companhia, as risadas e as bochechas da C. que me acompanharam por aquele liquidificador de cidades que na verdade era uma cidade só me fizeram sentir mais uma vez como uma das coisas mais legais do mundo é estar ao lado dos amigos e como é reconfortante saber que os amigos estão por todas as partes do mundo.

Acho que não ia encontrar lugar melhor no mundo para passar o último dia antes de voltar para casa.

De ponta cabeça

25/04/2009

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Em Macau

O segundo ano novo do ano

06/04/2009

Aterrisei em Bangkok sem saber direito que vai acabar o ano taildandes e comecar o proximo.  Sem querr, vim parar no periodo mais festeiro do pais. Eu tava mesmo precisando de um ano novo, pois nesse que comecou ja aconteceu tanta coisa que ja ta na hora de acabar.

Bangkok para minha irma, que vive na linda, loura e desenvolvida Perth, na Austrlia, foi um choque cultural. Para mim, que vim de Angola, Africa do Sul, Hong Kong e China, mudaram as letras do alfabetos e os cheiros das ruas, mas tudo parece familiar.

To a sentir saudade do meu computador, que ficou la na china. Agora tenho que blogar do cyber cafe, snif snif. Amanha vamos para praias paradisiacas no sul do pais e depois iremos para cambodja e vietnan. Ainda nao sabemos onde o ano vai virar. So sei que tirarei uns dias de ferias desses computadores de cyber caf e fofocarei por muitas e muitas horas com minha irma. see you later.

A grande muralha da língua

04/04/2009

Amanhã vou embora da China. O que eu mais senti falta daqui foi de não poder conversar com as pesosas, pra saber as histórias delas, o que elas pensam sobre as coisas, no que elas acreditam, de que elas acham graça, sobre o que elas querem e não querem falar, o que elas querem me perguntar. Também faz falta não poder ler o jornal, nem a placa do ônibus, nem as publicidades ou os rótulos, nem nada. Sim, é a grande muralha da língua, sobre a qual Kapuscinsky tanto falara algumas décadas antes.

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Aqui não tem céu azul

04/04/2009

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Aqui não tem céu azul. Todos os dias são cinzentos.

As crianças não têm recreio.

Os bancos abrem sábado e domingo até bem tarde.

Os pais trabalham sábado e domingo e por isso as crianças vão para escola sábado e domingo.

Os cemitérios têm vista para o mar (pelo menos alguns que eu vi).

Os metrôs são enormes e as passagens subterrâneas dos metrôs são enormes também. Dá para ficar mais de 15 minutos andando embaixo da terra.

As lojas dentro dos metrôs, dentro dos shoppings e dentro das ruinhas estão sempre lotadas.

A cidade é cinza de tanto concreto e os prédios parecem ir todos até o céu.

O ar é cinza e denso e tem dias que não dá para ver nem o Sheraton, que fica quase em frente.

A cidade só não é cinza à noite, quando o céu e o ar ficam negros e os neons dos letreiros deixam tudo colorido feito carnaval.

As bundinhas e as fraldas descartáveis

02/04/2009

Imaginem se todos os bebês chineses usassem fraldas descartáveis. Haja petróleo no mundo para suprir tamanha demanda.

Pois os pais chineses encontraram uma solução super ecologicamente correta para para lidar com esse problema. Vejam só. Tem um monte de bebezinho andando na rua como esse cidadãozinho aqui. Não é divertidíssimo?

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Chineses africanos

02/04/2009

Os chineses mandam crédito, empresas e milhões de chineses para a África toda em troca de matérias-primas para continuarem crescendo e construindo. Só que os africanos não costumam gostar muito dos chineses que vão pra lá e vice-versa. Os dois povos, todos diferentes entre si, não costumam se misturar muito. Pelo menos em Angola é assim. Os chineses, que não gostam de Luanda, ficam sempre fechados nos seus bandos e os angolanos meio que zomabam desses bandos.

Hoje peguei um ônibus sozinha para ir nadar numa piscina gelada e conheci uma chinesa que morou seis anos no Togo. Fiquei bem feliz mesmo quando ela me disse que tinha sido muito feliz em morar lá, fez bué de bons amigos e morria de saudade do jeito festeiro e afetuoso com que ela foi tratada lá. Ela dise também que vários dos seus amigos aprenderam a falar umas palavrinhas em chinês e sempre queriam saber um pouco sobre sua vida lá no seu país de origem.

Infelizmente acho que essa troca, que é tão boa para todos os lados, ainda é pequena. Mas há de melhorar. Um dia eu espero que tenha muito africano ou chinês com essa cara (sim, já usei essa foto antes, mas é que acho engraçada):

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Domingo no parque

01/04/2009

Ai, não conseguir ser sintética com as imagens. Mas é que foi um domingo feliz no parque e rendeu bué de fotos que eu adorei. O parque é ao redor de um templo maravilhoso chamado Big Wild Pagoda ou algos assim. E numa determinada hora começa um show de jatos de água estranhíssimo. No calor deve ser uma festa imensa com esses chafarizes.

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Sem tecla sap

01/04/2009

Andamos meio aleatoriamente pelo centro de Xi’an passeando com as pernas e com os olhos e com os agasalhos e cachecóis por ruas lindas cheias de árvores (parecia Buenos Aires), construções e monumntos milenares, prédios moderníssimos, mercados de antiguidades e um monte de shopping centers.

Fomos parar num mausoléu lindo de um imperador e logo ao lado dele ficava o History Museum. Mesmo sem o Lonely Planet nos dizer, chegamos lá bem na hora da distribuição gratuita de ingressos. Ainda bem que foi gratuita. O museu era lindo e interessante, mas todas as placas eram assim:

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Aí não deu pra entender muita coisa sobre a história de Xi’an, umas das cidades mais antigas e preservadas da China e ponto de partida da Rota da Seda. O que eu entendi foi mais ou menos o seguinte: a China é um lugar que fundiu muitas origens, culturas, povos e saberes diferentes desde muito tempo atrás. Vi cerâmica de tudo o que era jeito, vi templos budistas, mais terracotas, esculturas de bronze maravilhosas, umas coisas estampadas com caras de peruana, joias, armas, camelos, budas, dragões, uma grande miscelânea de coisas.

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