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30 dias, 30 anos

23/09/2010

30 dias completamente imersa num mundo ao mesmo tempo familiar e inexplicável. Quanto mais eu tento explicar, menos eu consigo entender. Quanto menos eu tento entender, mais eu gosto. A ideia nunca foi explicar mesmo. Foi falar sobre. E falar não é explicar. Falar sobre às vezes é só mostrar. Nem sempre as palavras são necessárias. Ou suficientes. É por isso que a arte e o silêncio existem.

Nesses 30 dias de quase 30 anos tenho procurado ouvir mais do que falar, conforme me aconselharam. Também tenho tentando estar o mais aberta possível ao acaso e ao que as pessoas têm a oferecer. E tenho feito malabarismos para equilibrar tantos sentimentos, personalidades, vontades e expectativas que me bombardeiam de todos os lados. Quanto mais cerebral, mais distante fico da minha busca. Quanto mais pretensão, menos conteúdo.

Se colocar na frente de uma pessoa com uma câmera ligada e, por uma, duas ou três horas, tentar entender um pouco do seu universo particular é uma experiência tão enriquecedora quanto extenuante. Cada pedaço de vida, cada pedaço de sonho, cada questionamento, descrédito e ou sentimento que as pessoas arremessam em mim me alimentam e ao mesmo tempo me consomem. No fundo o que eu quero é entender um pouco mais sobre mim.

To cansada. Exausta. Ao fim desses dias, certamente não entenderei mais sobre Luanda. Terei uma colcha de retalhos completamente subjetiva, íntima, pessoal sobre pessoas que ocupam um mesmo espaço geográfico, um espaço em que as emoções são catapultadas e obrigadas a circular mais intensamente. Faço o meu melhor, da forma mais sincera e feminina possível. É tudo o que eu tenho a oferecer.

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