Posts Tagged ‘irmão’

Família globalizada

22/07/2009

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Meu irmão vai morar fora do brasil amanhã. Vai encontrar uma irmã que já mora lá. O apelido dele é Cuzão e todo mundo na família ocasionalmente chama ele assim. Mas hoje em dia ele cresceu e nem é mais cuzão. Minha mãe não mora em São Paulo e se hospeda na casa do meu pai, que é casado com a madrasta. Eles namoraram uns dez anos e casaram de papel passado há dois. Mas meu pai mora na casa dele e a madrasta na dela e eles durante a semana ficam nas suas respectivas casas e no fim de semana reunem as escovas de dentes. Meu pai também tem uma casa na Ilhabela, que é onde minha mãe mora junto com outra irmã. Mas quando meu pai e a madrasta vão para lá, preferem ficar na casa da minha mãe, que é confortável, silenciosa, tem cachoeira, tucanos, abacates, tem boa comida e todo mundo se dá bem. Quando meu pai ficou muito doente e teve que ficar 2 meses no hospital entre a vida e a morte, minha mãe veio morar na casa do meu pai para cuidar dos filhos e do meu pai. Mas a madrasta, que na época ainda não era madrasta de papel passado, também cuidava dele e meu pai era conhecido no hospital como o homem das duas esposas.

A filha da madrasta mora da europa há muitos anos. Ela veio para o Brasil no ano passado e também ficou na casa da minha mãe na Ilhabela junto com a sua esposa. As três ficaram muito amigas porque trabalham com coisas parecidas — minha mãe restaura moveis e a esposa da filha da minha madrasta é marcineira.

No Natal, quando os filhos moravam todos no mesmo país, a gente reunia a família do meu pai com a da minha mãe e todos passavam o natal juntos. Durante dois natais, além das duas famílias, havia também uns dez filhotes de boxer espalhados pelo jardim, porque a Maia sempre pulava a cerca e cruzava com o Pancho.

Hoje somos todos amigos, as duas famílias são uma só. Quer dizer, as três: a do meu pai, a da minha mãe e a da minha madrasta. Mas nem sempre foi assim. Houve brigas, confusões, desentendimentos, rompimentos, rancores. Mas isso foi sendo resolvido aos poucos, os filhos foram crescendo, as pessoas foram se adaptando e adaptando as suas expectativas e hoje todos convivem mais ou menos harmonicamente.

É claro que a historia não é só bonitinha assim. Família dá trabalho, dá dor de cabeça, tem um monte de gente maluca, faz a gente herdar coisas que não gostaria e parar na terapia. Mas, de uma maneira geral, acho que a nossa família é legal. E o que eu acho mais legal é que ela não veio pronta. Foi sendo construída, desconstruída, foi se moldando de acordo com o tempo e com as demandas de cada um, até ganhar essa cara que ela tem hoje.

Eu tenho orgulho da minha família e morro de saudade dos que moram longe, seja nesse país ou em outro. Mas também acho que a gente se dá bem melhor com a família quando cada um busca seu caminho e quebra esses laços de ter que obrigatoriamente ficar perto e falar todos os dias e saber de tudo da vida dos outros.

Cuzão, boa viagem! Abraça bastante a Marina!

A Penélope voou

13/05/2009

A Penélope voou e foi parar la dentro da sala do meu pai, toda assustadinha. Depois ela se mudou para a gaiola da casa da minha avó e ficava cantando na cozinha. Meu tio dava jiló, couve e aqueles alpistes de passarinho, e a assim a Penélope ia vivendo. Quando alguém desconhecido aparecia, ela ficava toda atordoada, coitada. Batia as asinhas e ficava arfando o peito, segundo meu irmão, que foi quem reparou nessa coisa de arfar o peito.

Hoje a Mariona tava fazendo almoço e a cozinha tava aquela confusão com a presença dela, que ocupa espaço, e com a minha, que não ocupo muito espaço físico, mas faço também faço estardalhaço. Ainda vi a pobrezinha da Penélope bater as asinhas no seu poleiro. Quando meu irmão chegou, foi falar oi para a Penélope. Ela não estava no poleiro. Aí ele olhou bem e a pobrezinha estava lá caída no chão, toda dura, fria e morta. Agora meu tio não tem mais passarinho.