Posts Tagged ‘ju borges’

tás a ver?

19/07/2010

Apresento o resultado de muito tempo de trabalho, de reflexão, de discussão, de paixão e de vontade de fazer algo mais interessante, visceral e divertido do que antes. tás a ver?

Visite, frequente, comente, participe. Eu provavelmente estarei muito mais lá do que aqui agora.

copa da áfrica

13/07/2010

– porque eu acho essa coisa de se vestir de verde amarelo, desenhar bandeiras de tinta no rosto meio non sense;
– porque eu acho o dunga, o kaká e os outros que eu nem sei o nome direito maior sem graça e os jogos da copa igual à novela das oito;
– porque eu ficava meio irritada toda a vez que alguém falava que a Copa na África do Sul é a Copa na África — será que alguém vai chamar a copa do Brasil de Copa da América?;
– porque me agrada a ideia de estar num lugar em que as pessoas não estão;
– porque eu adoro andar na cidade vaiza;
– porque eu tenho gostado cada vez mais de fotografar,

eu resolvi, em vez de assitir aos jogos da seleção, fazer essas fotos aí em cima.

A hora da luz bonita

08/05/2010

Era hora daquela luz linda que no fim de todas as tardes deixa as cores de Luanda ainda mais bonitas. Era a hora em que todos os dias descíamos aquelas escadas de mármore desgastado cheirando a mofo e ganhávamos a rua. Cruzávamos as vendedoras de milho, as moças que trocam dinheiro, desviávamos das gotas sujas que caíam lá de cima feito chuva dos aparelhos ar condicionado, dobrávamos a esquerda e chegávamos até a pastelaria Nilo. Todos os dias esse passeio se repetia, menos menos pela vontade de tomar café do que pelo prazer mais simples e sincero de ver aquela luz linda a bater nas janelas, nas zungueiras, nas conversas das crianças de aventais brancos, nos carros estacionados de qualquer maneira e na poeira que aquelas moças pobres levantavam ao tentar juntar um pouco do pó.

A hora era a mesma desse outro tempo da pastelaria Nilo que me traz as melhores e piores lembranças. Mas a Juliana já é outra. E já não há mais aquela camisa de força que me queria controlar tudo e privar das coisas. Eu posso simplesmente demorar o tempo que quiser nessa caminhada na hora da luz bonita. Posso me despedir devidamente das coisas e das pessoas, como deve ser feito. Posso resolver mudar de caminho só porque resolvi seguir o som de uma música em vez de pegar o trajeto mais curto até minha casa. Posso decidir não ir embora, inclusive. Ou então voltar antes do previsto pra antecipar um reencontro. Mudo o bilhete e pronto. Já está.

Mas ir embora também é bom. Porque os laços que criamos com as pessoas e com os lugares são intemporais e se navegamos no rumo natural da nossa vida sempre haverá reencontros e retomadas e novos encontros e de repente estamos de volta como se estivéssemos estado ali na véspera, como se a distância do tempo nunca tivesse existido.

Enquanto eu andava na hora da luz bonita na minha última tarde de uma curta estadia em Luanda era como se eu sempre estivesse tido lá. Deixando meus pés comandarem o caminho, cheguei aos pés do prédio da Cuca, no Kinaxixi. Comecei a subir, bem devagar, meus passos queriam demorar para chegar no topo do prédio que deve ter uma vista linda e que meus olhos ainda desconheciam. Foi um lindo jeito de me despedir da cidade. Sozinha. Vendo-a do alto, do alto de um prédio que faz parte da história da cidade, que talvez em breve não exista mais, pois está comprometido, será partido. Por alguns instantes, fiquei a olhar a baía de Luanda, os chineses a trabalhar no buraco que virará um shopping, as gruas, os prédios baixos, as parabólicas, o trânsito e o som da cidade bem ao fundo. Desci todos aqueles degraus como que flutuando, e flutuando também cheguei até a casa em que estava hospedava, e com as lembranças mais doces peguei o avião de volta para minha casa, essa que eu moro, e pra qual eu gosto tanto de voltar.

O silêncio de Luanda

03/05/2010

Não tem mais ninguém nessa casa linda de paredes de vidro, obras de arte, prateleiras brancas cheias de boas leituras, abajures nos lugares dos lustres que nessa altura são desnecessários porque no prédio chinês as obras não param e o refletor vira uma espécie de sol.

Só eu. E o silêncio. E é um silêncio bom, que vem de dentro da alma. Silêncio de quem se sente em casa, inteira, com um pouco de medo, é verdade, mas que sabe que agora não são mais duas vidas, uma de cada lado do atlântico. É só uma, que pode ir e vir nadando por esses oceanos enormes.

E chegar sem saber na véspera do pedido de casamento do chefe peixe à Graciete e só então descobrir um barrigão enorme de 8 meses lindo e precoce.

Uma breve história do meu pai

20/04/2010

Olhem por que eu sou assim:

Uma breve história do meu pai


Ele é engenheiro formado pela poli. Lá no passado teve uma esposa, quatro filhos, uma casa enorme, uma fábrica de compressores de ar uma vida confortável, com casona, caseiro, cachorros e piscina e tudo mais nos eixos. Mas aí empresa se deu mal naquele tempo do collor em que todas as empresas se davam mal, o casamento acabou e ele foi trabalhar por outros, abriu umas franquias e tocou alguns negócios que fizeram a gente sobreviver, mas o dinheiro minguar. Conheceu a Vera. Brigou com a vera, a Vera brigou com a gente, a gente brigou com ele. Terminou com a Vera. Voltou com a Vera. Muitas vezes. Depois abriu uma agência de turismo para quem tem carrões quatro por quatro e essa coisa de criar filhos. Essa coisa de não ter dinheiro com filhos pra criar e recomeçar um negócio era tão estressante, mas tão estressante que ele virou uma bomba atômica. Aí a bomba explodiu. Um mês e meio na UTI e o mundo virou de cabeça pra baixo. Essa coisa de nascer de novo faz isso. Tempos difíceis, recuperação milagrosa, falta de dinheiro, falta de perspectivas, depressão, medo, 60 anos sem dinheiro, sem empresa, sem trabalho e sem concentração, que foi levada pelo AVC. Mas com uma mulher incrível, uma ex-mulher incrível e quatro filhos incríveis. Aí ele casou, de papel passado, com uma festa deliciosa e com a sábia decisão de ir o marido pra uma casa e a esposa para outra. Ele resolveu diminuir o tamanho da sua vida: trocou a casona por um apartamento, comprou um taxi, um alvará e virou taxista por São Paulo. Sem dar a mínima pra quem disse que isso era decadência. Decadência nada. Isso é decência. Decência por entender que o importante na vida é fazer o que gosta: tocar saxofone, estudar música, ir pro clube fazer spinning, ficar com sua mulher, fazer uns almoços com os filhos em casa, tomar banho de cachoeira e não ter grandes preocupações. Ele recomeçou tudo de novo. Recomeçou melhor – menor, mais calmo, mais feliz, se importando com as coisas mais certas. Entendendo de uma forma definitiva que as coisas pequenas são as que mais importam. E aí quando tá tudo calminho e nos eixos ele muda tudo de novo. Comprou uma casa em Delfinópolis, 5 mil habitantes, lá na Serra da Canastra, com planos de se mudar daqui a 3 anos. E de repente vendeu o taxi, o alugou o alvará, comprou um 4×4, fez um camping pra não dar certo, estendeu uma rede na varanda e pronto. Os três anos viraram três meses. Ele agora está lá no interior, feliz da vida, todo sem pressa, sem barulho, sem estresse, completamente realizado com tudo o que ele construiu – e desconstruiu na vida.

Os engenheiros na Exame

15/04/2010

Eu tenho feito muita matéria pra Exame, mas acabo não postando aqui o que sai. Essa aqui sobre a falta de engenheiros no mercado foi publicada recentemente.

Os engenheiros não viram mais suco

Durante os anos de estagnação da economia, os engenheiros foram relegados a segundo plano. Agora, que voltaram a ser protagonistas do desenvolvimento, as empresas têm de caçá-los. E a situação pode piorar

ESTUDO E TRABALHO Daniel Debatin (à esq.) e seus colegas, alunos  de engenharia naval, já atuam no Estaleiro Ilha, no Rio de Janeiro: as  empresas buscam talentos nas faculdades
Por Juliana Borges e Renata Agostini | 31.03.2010 | 11h57

Desde 2007, o engenheiro civil paulista Carlos Alberto Gaspar, de 31 anos, já morou em quatro cidades, uma em cada canto do Brasil: São José do Rio Preto, em São Paulo, Telêmaco Borba, no Paraná, Três Lagoas, em Mato Grosso do Sul, e Floresta, em Pernambuco. Na cidade pernambucana há um ano e meio, ele planeja atividades da construtora Encalso num dos lotes das obras de transposição do rio São Francisco. “Tudo tem acontecido muito rápido”, diz Gaspar, formado na Universidade Federal de São Carlos, no interior paulista, em 2002. “Mal tenho tempo de me adaptar a uma cidade e já recebo uma nova proposta de emprego.”
Pra ler a matéria é só clicar aqui.

Simon Bolivar

24/10/2009

Eu já havia escrito sobre ele. Agora apresento o Simon Bolivar, que eu conheci na Estação da Luz.

Se desse

22/09/2009

Se desse, eu iria agora mesmo para fora de mim ou para o futuro para saber se continuo fazendo tudo isso ou se tá tudo muito errado.

Mas como não dá, eu vou seguindo em frente fazendo essas coisas que minha intuição acha que são as certas.

Porque eu já fiz demais o que o senso comum dizia que era certo e, de repente, estava tudo muito distante do que eu acreditava e eu fiquei infeliz.

Mas é que esses dias eu ando muito sensível e o que as pessoas dizem estão me fazendo refletir. E algumas me disseram que nunca me viram assim e, apesar de eu não ter entendido tão bem como é o assim, eu fiquei preocupada comigo mesma.

Festa no ap

12/09/2009

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A parte boa da história é que nessa casa moram três virginanos e tudo já está no seu devido lugar.

O medo que mede cinco metros

09/09/2009

Subi aqueles degrauzinhos estreitos e bem íngremes de cimento velho toda decidida e cheia de mim. O sol esquentava meu corpo e tudo mais a minha volta porque era a hora do almoço numa terra que todos os dias faz sol e isso me deixava ainda mais a vontade, pois é assim que eu me sinto em casa: no calor, com pouca roupa e com umas havaianas. Mas aí eu cheguei na beirada e percebi que o mundo inteiro estava lá embaixo e só havia sobrado eu naquela altura toda. E perceber isso fez toda aquela confiança se evaporar no mesmo instante e me fez empacar igual essas mulas de fazenda que ficam fazendo o que não querem o dia todo e uma hora elas simplesmente desistem e nunca mais se movem.

Apenas cinco metros me separavam daquela água toda lá debaixo. E esses cinco metros me davam um medo imenso, que, se desse para medir, acho que daria alguns quilômetros. Como cinco metros de altura me metiam tantos quilômetros de medo? É só água. Não machuca nem nada. Quando a gente pula, ela engole a gente e é bom. E depois ela devolve a gente sozinho para cima. É só pular.
Lá debaixo é mesmo fácil falar que é só pular. Mas ali de cima era um drama. Também, lá de cima dava para ver a piscina olímpica de azulejinhos descascados, a outra piscina menor de água turva dos putos, a arquibancada sempre vazia, as árvores lá bem longe, os telhados das casas do chiques do Alvalade e muitas outras coisas. E sé dá para ver tanta coisa porque é alto. E se é alto dá medo, pelo menos para mim.

Eu passei um tempo considerável nessa nessa briga interna de vai não vai, passo pra frente passo para trás, vou adiante ou volto pelas escadinhas. A piscina toda parou para ver a agonia engraçada daquela pula branquinha e meio escandalosa. Aí vinham uns putos que subiam, chegavam correndo até a beirada e saltavam dançando kuduro, ou então de cabeça, ou então com cara de pouco caso. Eles queriam mostrar para a pula que era só pular, simples assim. Ou então queriam mostrar como eles eram corajosos, sei lá. Só sei que eu continuava com medo.

Esse medo que eu senti lá em cima é do tipo que dá um frio enorme na barriga mesmo quando a cabeça sabe que é uma bobagem, pois não há o que dar errado. Não havia como eu pular fora da piscina, quebrara a perna ou me afogar. Tudo necessariamente iria ficar bem. Não havia risco nenhum. Mas, ainda assim, eu sentia medo.

Ontem eu senti um medo desses.
Aí uma hora eu parei de pensar nisso e pulei.
A água me engoliu e foi bom. E depois me devolveu sozinha para cima.