Posts Tagged ‘lixo’

Cinema?

09/03/2009

cinema

Essa foi o primeiro lugar que eu fui quando vim pra Angola pela primeira vez, em 2005.

Quando vi um cinema lindo, imenso e abandonado a céu aberto num lugar alto mo Miramar com uma vista panorâmica do porto e da Bahia de Luanda não entendi nada. Só achei muito incrível e descobri que amendoim chamava jinguba e comi jinguba com uma angonala, uns brasileiros e uns espanhóis que eu nunca tinha visto na vida. Eles me perguntavam o que eu estava fazendo em Angola e, para além de dizer que estava fazendo meu trabalho de conclusão de curso, não conseguia explicar muito bem.

Voltei nesse lugar no sábado pra ouvir de novo um pouco de música caboverdeana. Aquelas cadeiras cinzas perfeitamente enfileiradas continuam iguais. A imensa tela iluminada por uns holofotes bem brancos continuam iguais. Quantos filmes devem ter sido projetados  nesses quatro anos naquela tela? Zero? Um? Alguns? Por que em vez dos holofotes brancos não existem projetores de filmes? Por que aquelas cadeiras não são usadas enfileiradas e aqueles holofotes não são usados para fazer shows ou teatro? Por que aqui em Luanda as coisas vão se degradando e se abandonando assim? Por que essas coisas abandonadas são uma tristeza profunda na gente?

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Bagda é no Mussulo

09/03/2009

bagda

Fui de boleia com amigos até o Mussulo, uma ilha perto de Luanda onde endinheirados de Luanda andam de barco, de motoaquática, fazem praia e dormem em suas mansões. O barquinho nos deixou no Barsulo, um bar com tendas, camas cheias de almofadas e guarda sóis de pralha e madeira parece que estamos em Ibiza. Só que nem em Ibiza a creveja deve custar tanto: 700 kwanzas, ou 10 dólares, quase 25 reais. Uma cerveja.
Sorte que já sabíamos disso e ficamos um pouco mais para a direita, em frente a um resort abandonado, onde, depois de andar vários metros por uma passarela de madeira sobre a areia que passa ao lado de vários quartos lindos com mobília e parabólicas abandonadas e de uma cozinha industrial totalmente equipada jogada ao relento junto com resto de móveis e de escombros, chegamos a umas casinhas bem simples e a um bar rosa chamado Bagdá que vende cuca a 130 kwanzas.
Esse monte de dinheiro usado para comprar coisas como cozinha industrial, hotel, casa, moto aquática, carros, sofás, que depois ficam abandonadas de qualquer jeito em qualquer lugar, abandonados nas praias, nos telhados, nas estradas, calçadas ou rios ainda chocam meus olhos que hoje já não estranham tantas coisas que acontecem aqui.
O Mussulo foi a primeira praia que eu fui em Luanda, no ano passado. Naquela época choquei-me com os putos a cercar o carro para tentar ganhar uns trocados a qualquer custo, choquei-me porque tive que fazer xixi atrás dos carros, na areia, de qualquer jeito, choquei-me com as pessoas que vendiam bebidas, comidas e cigarros perto dos barcos e ao lado de um monte de lixo que eles mesmos produziam. Dessa vez essas coisas já são me chocam mais, a cidade inteira é assim e não dá pra ficar chocada a todo o tempo. Mas aquele hotelzão totalmente jogado assim me deixou um pouco impressionada novamente.
Bom, voltando ao Mussulo. Ficamos a tomar cucas do bar bagdá e depois arrumamos uma senhora que matou umas galinhas do seu jardim, fritou umas batatas e fez um arroz e fez o preço camarada de 600 kwanzas por pessoa. Galinha sem hormônios, que morreu na hora e não atravessou o Atlântico congelada.
Em frente ao resort abandonado ficamos amigos de um jovem que cuida de uma mansão novinha bem chique ali do lado, cujo dono inaugurou a casa e só esteve lá duas vezes. Como a casa está sempre linda e sempre vazia e basta desligar o gerador para o circuito de câmeras pararem de funcionar, fomos tomar um banho naquela piscina enorme com vista para o mar. Estávamos autênticos milionários, aproveitando a fortuna e a desigualdade social do “terceiro país mais rico do mundo”.

Na volta, dividimos o barco com uns libaneses completamente bêbados que ficavam falando libanês bem alto e foram cantando no caminho todo umas músicas árabes engraçadas. Quando chegaram em terra, pegaram nossos telefones para marcarmos um almoço qualquer dia desses.

Montanha de lixo, literalmente

15/12/2008

Não ando com vontade de postar fotos de meninos pobres, mendigos amputados e destroços da guerra. Mas fiquei muito impressionada quando descobri que essas casas ficam em cima de uma montanha de lixo — no sentido literal da coisa.  

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Lixo no telhado

30/11/2008

telhados

Lixo no telhado é uma coisa comum aqui. As pessoas vão de desfazendo de qualquer coisa em qualquer lugar e os lixos ficam anos se acumulando por todo o canto. Essa é uma cena comum na cidade.