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mulher e super mulher

12/02/2010

Um dia eu acordei e fiz a seguinte dedicatória ou bilhete de amor a um homem que eu já amei: você é meu super homem. O bilhete era só esse. Simples assim. Curto e direto. Na hora eu nem entendi muito bem (como muitas vezes acontecia), mas esse bilhete foi tema de mais uma daquelas brigas que me arrancavam toda a energia. Eu entendi que ser super homem não era bom, mas, por mais que ele tentasse me explicar, não entendia muito bem por que não era bom. Quem é super é melhor que os outros. Sabe furar parede, desentupir a pia, levar para jantar, abrir a porta do carro, fazer declarações de amor, se vestir bem e essas outras coisas que mulher gosta. Então, ser super homem era uma coisa boa. E eu não merecia ser repreendida assim.

Não sei muito bem quando, mas uma hora eu fui entender o que esse homem queria dizer, como muitas vezes aconteceu. Ser super homem é não ser humano, é estar aprisionado noutra dimensão, é estar sempre solitário. Ele queria ser apenas um homem, o homem de uma mulher, um homem de carne e osso, que muitas vezes não é bom o suficiente e que às vezes precisa de colo e bronca. Um homem com todas as suas características humanas.

Eu tenho tpms horríveis, não sou tão boa quanto pareço, nem tão independente, preciso de colo mesmo sem saber pedir direito e muitas vezes meto os pés pelas mãos, principalmente quando meu coração fica apertado ou o mundo anda rápido demais para eu acompanhar. Com certeza absoluta, não sou uma super mulher. Mas as vezes me sinto presa noutra dimensão igual essa tal super mulher. E ando achando, com mais frequência do que eu gostaria, de que sou mulher demais para determinados homens. Mas tudo bem, é o timing do universo.

Isso não é nada fácil

25/07/2009

Ser mulher é muito difícil. Tem esse negócio de tpm, de depilação, de querer ser mãe e dona de casa e ao mesmo tempo e ter que provar pra ela mesmo e pro mundo como ela pode ganhar o mundo, tem essa coisa da idade biológica, tem esse sonho de casar e ser feliz para sempre e bué de outras coisas difíceis. E tem também essa coisa que sempre acontece na hora que uma mulher ficar com raiva ou triste que, em vez de ela dizer o que ela gostaria de dizer, ela diz exatamente o oposto — e espera que o outro entenda a mensagem oposta, e não a que ela disse. Aí o outro não entende ou faz que não entende e ela fica frustrada — primeiro com o outro, que é um insensível, depois consigo mesma, porque mais uma vez ela se embaralhou toda.

Compra-me saldo 2

02/02/2009

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Hoje na redação tivemos uma conversa ótima e divertida sobre a questão do hábito (ou obrigação) dos homens angolanos de comprarem saldos de telemóvel e vários outros presentes para as amigas e namoradas. No Brasil é meio impensável uma namorada chegar para seu namorado e pedir assim, na cara dura, para lhe comprar saldo. Ou então fazer uma lista de presentes que ela gostaria de ganhar. Aqui é a coisa mais normal de mundo e tanto os homens quanto as mulheres já esperam por isso.

O ponto polêmico da conversa foi se o homem que compra saldo para uma amiga está realmente interessado nela ou pode simplesmente ofertar-lhe pela amizade. Uns diziam que é claro que o homem que compra saldo para uma amiga tem segundas ou terceiras intenções. Mas outros já achavam que esse gesto de dar saldo podia ser mero cavalheirismo ou demonstração de uma amizade mesmo sincera, sem outros objectivos. Eu sinceramente não sei bem o que achar….

Só tenho uma certeza: namorar uma angolana é beeeeem mais caro do que namorar uma brasileira, sejam quais forem as origens das diferenças culturais.

Já tinha falado um pouco sobre esse assunto num outro post. Quem quiser se lembrar é só clicar aqui. Hoje nem sei mais se concordo com aqueles julgamentos que eu fiz…. mas, enfim.


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Compra-me saldo

30/11/2008

As relações angolanas entre homem e mulher são ainda um pouco à moda antiga. À moda antiga significa que há coisas boas e coisas ruins e outras coisas curiosas, não sei direito se são boas ou ruins.

casalAs coisas boas : o homem chama sua namorada ou mulher de minha dama, faz questão de andar do lado da calçada mais próximo da rua para a sua dama ficar protegida, faz galanteios e faz essas coisas de cavalheiro meio fora de moda que as mulheres geralmente adoram.

As coisas ruins: muitos homens (e muitas mulheres) acham que lugar de mulher ainda é só na cozinha e na cama e que quem tem que decidir tudo é o homem e que a mulher deve servir o homem e pegar cerveja e lavar toda a louça e carregar todas as bacias na cabeça. Aqui, sexta-feira é “o dia do homem”. Nesse dia, é o homem que decide o programa que mais lhe agrada. Os africanos são polígamos por natureza, dizem os homens, e eles podem ter várias mulheres. Mas a mulher que quer ser polígama tb não é muito bem vista.

As coisas curiosas: quando um homem está investindo numa mulher, é normal que ela peça-lhe, assim, na lata, para comprar saldo para o telemóvel. Assim ela não pode ter como desculpa que não telefonou porque o saldo tinha acabado. Outra coisa curiosa e fantástica, é o ritual de casamento. Ele é longuíssimo e sagrado para as famílias, dura e custa muito. Inclui que homem faça um pedido formal, gaste fortunas pagando dote e depois faça uma festa cheia de comidas e bebida que dura dois ou três dias. Há a cerimônia religiosa, a festa e a continuação da festa, nos dias seguintes.

Eu ainda hei de ir a um casamento, toda semana há sempre alguém conhecido de um conhecido casando. Aí vai dar pra eu contar mais detalhes.

Ah, outra coisa triste desse jeito meio à moda antiga é que vários pulas (gringos) acham que podem comprar angolanas com saldos como se fossem putas.