Posts Tagged ‘redação’

Da série sonhos com manual

05/07/2009

Eu estava num prédio que era o lugar em que eu trabalhava, cheguei no elevador, trabalhava no sétimo andar, mas não sabia direito como chegar lá. Tive que pedir ajuda. Cheguei no sétimo andar, ali era a China e eu não tinha  a menor ideia de qual era a minha mesa de trabalho. Andei pelo corredor pensando que quando eu trabalhava na redação do JE, eu sabia onde era minha mesa. Cheguei para uma secretária e perguntei se ela por acaso lembrava onde eu sentava. Ela disse que não. Resolvi sentar num lugar qualquer e liguei o computador. Aí umas pessoas que trabalhavam lá falaram que eu tinha que reiniciar o computador e entrar com outro login. Quando fiz isso, a energia do andar caiu (alguém lembra de Luanda?) e eu resolvi sair com meu laptop para dar uma volta. Tentei falar pelo skype com um empreendedor social que eu havia entrevistado para dizer que eu queria que ele me contratasse para trabalhar com ele. Mas aí eu escrevia uma coisa e na tela aparecia outra, totalmente incompreensível, o que me deixava aflita. Enquanto isso percebi que tinha que entrevistar outros dois empresários para a Exame, mas tinha perdido a hora marcada. Resolvi voltar para o escritório, estava na marginal tietê e estacionei o carro na frente de um parque na China. Tinha umas velhinhas tentando descer as escadas desse parque e eu fui ajudá-las. Elas eram da família de uma das pessoas que trabalhavam comigo naquele lugar que eu não sei o que fazia e nem onde eu sentava. Aí perguntei se elas eram da família do Toniko, elas disseram que não. Perguntei se elas eram da família do Rubens, elas disseram que não. Elas eram da família de alguém que trabalhava comigo, mas eu não conhecia. Elas falavam muito sabiamente de um jeito chinês que eu entendia tudo, no final elas me deram uma tiara roxa com uma rosa rosa em cima e eu fiquei muito grata.

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Só uma pausa

17/12/2008

O fecho mais surreal da história dos fechos ainda não terminou e, infelizmente, ainda está distante do fim. Mas vale uma breve pausa para contar um dos episóidos deste longo e interminável dia.

Nao dá pra fazer tudo da nossa redação home office de computadores pessoais em cima de uma mesa de casa com um único pen drive, pois todas as fotos da edição e alguns poucos textos já fechados ficaram trancados nos computadores adormecidos da redação redação.

Então o motorista foi buscar um no break na redação redação para ser carregado na eletricidade da redação home office. Depois de carregado, o no break voltou pra redação redação pra ser aclopado ao servidor central. Mas a carga não deu conta, o coitado morreu feito o finado gerador e aí a única alternativa possível para haver jornal na sexta-feira foi trazer o servidor para a redação home office.

Só que, para tirar o servidor da redação redação, foi preciso roubá-lo. Isso porque não tínhamos autorização nem do guarda nem do cara da TI (que deveria trabalhar todos os dias na redação redação, mas que raramente aparece e mesmo quando não aparece quer dar ordens) para tirá-lo de lá. Não adiantou falar que essa era a única alternativa existente para o jornal ficar pronto, pois, afinal, ordens são ordens.

Bom, tivemos que descumprir as ordens e roubar o servidor da redação para ajudar a redação a ter um  jornal. Espero que amanhã ninguém seja preso por isso.

Jacaré iemanjá

17/12/2008

Parece estranho, mas esse vídeo oportunista tem tudo a ver com a situação surreal que estamos vivendo nesta redação. Redação virtualmente falando, porque fisicamente ela está desmembrada em vários laptops e macs pessoais que se conectam por pendrives.  Para quem não entender o que tem a ver, vale assistir o vídeo mesmo assim, pois ele é engraçadíssimo.

Desabafo sobre o dia que está por vir

17/12/2008

Tem coisa tão surreal que acontece na nossa vida que enquanto ela está acontecendo nem parece surreal.

Há mais ou menos um mês ficamos sem luz por algumas horas todos os dias na redacão porque a rede elétrica não funciona direito e o gerador também não. Quer dizer, no início o gerador funcionava, mas o jornal comprava combustível para poucas horas e quando o combustível acabava, o gerador parava. Todos os dias acabava o combustível e todos os dias ficava alguém correndo atrás da liberação da verba pra comprar mais um pouco de combustível, que só ia durar por algumas horas.

Aí, a luz da rede continuou não voltando e o gerador começou a superaquecer, pois sua capacidade não era suficiente para atender toda a redação. Por isso, ele funcionava por algumas horas e quando começava a cheirar fumaça e ter início um princípio de incêndio no maquinário, os guardas desligavam o gerador sem avisar ninguém e as máquinas da redação paravam. Aí era preciso esperar 1 hora para ele se recuperar. Depois dessa 1 hora, demorarva mais meia hora para o nobreak do servidor carregar para podermos religar a rede. E assim a gente ia levando os fechos.

Só que, estranhamente, o pobre gerador não aguentou tanta pressão. Na segunda ficou a tarde toda desligado, na terça de manhã e ele tentou trabalhar, mas morreu de vez. As fotos e os textos que conseguimos editar entre uma queda e outra de energia ficaram presos na redação escura. A edição tem que ser 90% fechada hoje, mas está 0% pronta. A redação continua sem energia. Mas vamos fechar.

Mas isso é apenas uma parte do problema. A outra parte é melhor eu não falar publicamente, são questões internas.

E o mais irônico de tudo é que, por uma coincidência incrível, a capa da edição é sobre a reforma do sector eléctrico angolano.

Choveu

05/12/2008

Choveu à noite e continuou chovendo de manhã. O pó que as probres moças magrinhas levantam no ar ao tentar varrer a cidade se tornou lama. Os buracos que existem nas calçadas (ou as calçadas que existem nos buracos?) na se encheram de água e esgoto. As minhas sapatilhas roxas ficaram sujas e sujaram o carro que estava limpo. A cidade ficou melada, congestionada, mas refrescada.

O problema de quando chove é que aumentam os mosquitos e, quando aumentam os mosquitos, aumentam os casos de paludismo (malária). Aí quem tem saúde frágil, almoça bolacha e não tem ar condicionado ou mosquiteiro no quarto e tem de dormir de janela aberta logo fica doente. Nos últimos dias na redação, tivemos destaques dos designers A. e P., do repórter I., do motorista C. e talvez do motorista L, que está com paludismo e febre tifóide ou arrumou outro emprego. É muita gente doente de uma doença que nem deveria existir mais.

1,2,3,4,5,6,7,8,9,10

25/11/2008

Estou contando até dez beeeem devagar. Estou tentando respirar fuuuundo e relaxaaaar. Hoje definitivamente o mundo está contra mim.

Não bastasse a cara na porta que tive hoje de manhã, quando voltei à redação, depois do almoço, encontrei a redação sem luz, sem gerador, sem rede, sem internet, quse sem repórteres. Depois de uma hora e tal a luz voltou, a internet demorou mais meia hora. Aí tive a desagradável supresa de tentar abrir um arquivo de um quadro da matéria de capa que deveria ter sido finalizado pelo outro repórter e ver que ele estava exatamente do mesmo jeito que eu havia deixado ontem. Dividimos qutro países para cada. Eu fiz os meus. Os dele seriam feito na sequência sem falta ontem, promessa é dívida. Mas nada. Ele disse que fez tudo: copiou da internet pro caderno e não teve tempo de passar para o computador. Aí hoje ele esta com apludismo e não vem. Amanhã o jornal fecha. Ainda bem que a luz voltou pra eu poder trabalhar de tarde no trabalho dos outros e de noite no trabalho meu, que deveria estar sendo feito à tarde. O cinema dançou, certamente.

Fiquei de fora

25/11/2008

Por fora, o Centro de Convenções de Talatona é um centro de convenções moderno como outro qualquer. Estrutura de vidro, estacionamento enorme, bem cercado por todos os lados, guaritas protegidas com seguranças.

Por dentro eu não sei como é que é. Eu deveria estar lá agora cobrindo um encontro importante, com a presença de vários chefes de estado de África. Mas, infelizmente, o jeito angolano do mundo funcionar não me permitiu.

Na semana passada, soube da existência dessa cimeira e me cadastrei. É um assunto que rende capa. Soube meio por acaso que o credenciamento estava a ser feito num hotel perto de casa. Fui até lá, me perguntaram se eu havia mandando uma carta à organização do evento, eu disse que sim, apesar de não, e, milagorsamente, meu nome estava lá. Ufa. Mesmo estando de braços de fora consegui fazer a foto para o crachá.

Nos outros dias estive no tal hotel pra conseguir algumas entrevistas, o que até foi possível. Mas o dia mais importante do encontro era hj, quando os chefes de estado iriam se reunir. A cidade estava toda policiada para o encontro. Acordei cedo, peguei o fotógrafo e fui pra lá, apostando muitas fichas de que sairia com muito material.

Mas o que aconteceu foi que, ontem à tarde, ficou decidido que seria necessário fazer um outro credenciamento, que aquele que tínhamos já não valia mais. Eu não sei como a informação se espalhou, mas ela se espalhou. Só não chegou a mim, que dei de cara com os seguranças mal humorados na entrada. Eles me disseram que lá dentro estavam a fazer o novo credenciamento, mas que eu só poderia entrar se alguém lá de dentro da organização fosse me buscar na porta. Ninguém veio. Depois já não pudemos nem ficar de plantão na portaria, pois os chefes de estado começaram a chegar.

Então só me restou colocar o rabo entre as pernas e bazar. Droga. Os outros jornalistas estão lá cobrindo a cimeira. Eles são angolanos e entendem melhor como a comunicação circula. Ainda chego lá.

Conheci o Catito

19/11/2008

Hoje, enquanto estava no terraço da redação fumando passivamente o cigarro da Mayra e do Zé e pisando numas telhas até quebrá-las em pedacinho ao lado dos restos de uma tv abandonada, conheci um personagem famoso da redação, o Catito. O sr. Catito é o nosso rato de estimação. Foi batizado pelo chefe Prado, que levanta os pés quando está sentado em sua cadeira e ele passa. Catito passou ligeiro, não quis se apresentar. Quanta antipatia!

As fotos do rep ráour

13/11/2008

Conforme prometido

rep ráuor

12/11/2008

Os angolanos têm o ótimo hábito de pronunciar os estrangeirismos do jeito em que são lidos no português, sem dar som de erre no agá, de a no i e essas coisas mais. Aqui toma-se cerveja ainikein, dirige-se carro onda e fala-se sobre o movimento ípi dos anos 60. E faz-se ép auor depois do expediente.

Uma das editorias do JE cham-se exatamente happy hour. No início respeitava-se a regra dos estrangeirismos e essa dupla de páginas era chamada de ép aur. Mas depois os brasileiros acabaram influenciando os angolanos com sua pronúncia gringa e o ép aur virou… rep ráuor. Epa, se o primeiro agá tem som de erre, o segundo também deve ter. Nada mais lógico, não?

Desde então, rep ráuor tem sido uma das palavras preferidas da redação.

Pois no dia da independência d’Angola, o Jornal de Economia & Finanças realizou seu primeiro rep ráuor. Era feriado, mas jornal semanal que fecha na quinta não tem muito dessas de parar na terça. Para tornar o dia mais agradável, reservamos uma mesa no restaurante Veneza para falar besteira depois do trabalho. Foi divertidíssimo. Trabalhar em equipe fica muito mais fácil depois de algumas mesas de bar. Descobre-se a idade das pessoas, fala-se mal dos outros sem pegar mal, tira-se sarro do sotaque alheio, imita-se o chefe Chimuco, as barreiras dos cargos que cada um ocupam já não importam, da-se muita risada e, principalmente, marca-se vários outros rep ráours e festas e kuduros e passeios à praia ou ao rio dali pra diante.

O rép ráour definitivamente foi um suçeço.

Só sentimos falta da Kota Mayra e do João Filete.

Já já coloco algumas foto no ar. Preciso pegar do Kota Cinquenta.