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O que venho aprendendo em dez dias no rio

27/03/2010

Eu já conheço bem essa cidade, já me apaixonei por ela e por pessoas dela, sei me locomover direitinho, tenho um monte de amigos espalhados, sei que todos os táxis da rodoviária e do aeroporto te roubam, sei chegar na praia da joatinga, que bangu é o lugar mais quente do rio e que o ar dessa cidade tem um gosto especial.

Mas nesses dez dias que eu vim passar aqui eu tenho aprendido algumas coisas novas:

– as bicicletas têm suporte para levar a prancha de surf

– às 18j parece que a cidade inteira acaba de trabalhar vai para perto do mar fazer atividades ao ar livre: corrida, caminhada, papo furado, samba, futebol

– em cada esquina tem uma casa de suco

– ver o mar todos os dias faz um bem danado

– a 20 minutos da sua casa tem cachoeira

– as pessoas usam poucas roupas e ninguém se importa com isso

– uma pessoa que não entende isso aqui, apesar de ter a cara disso, me faz ter saudade

– da pra ir num restaurante ou na casa de um amigo com o pé de areia e o corpo de protetor

– levar caldo faz parte da rotina

– uma cidade musical é bem mais alegre

– trabalhar não é a única coisa que importa na vida

– fazer uma coisa legal com gente chata é a mesma coisa que fazer uma coisa chata

– criar uma coisa nova e bacana com gente bacana e inteligente é incrível

– estar onde a gente gosta faz a gente trabalhar melhor

– eu ainda vou vir morar aqui

Reunião de trabalho

17/03/2010

porque eu acredito que o trabalho pode ser interesante

porque eu acredito que trabalhar tem a ver com se divertir

porque eu acredito que só podemos fazer o que gostamos, mesmo que isso não seja prazeroso em tempo integral

porque eu acredito que a liberdade de ir e vir na hora que eu quero é uma das premissas de um trabalho prazeroso

porque eu acredito que temos que adorar fazer a coisa que passamos a maior parte do nosso tempo fazendo

porque eu acredito que estarmos com quem gostamos é essencial ao trabalho e que se desentender é normal

porque eu aprendi a conviver com a ideia de que segurança é algo totalmente ilusório

porque eu adoro trabalhar

é assim que eu venho trabalhando

tás a ver?

Se desse

22/09/2009

Se desse, eu iria agora mesmo para fora de mim ou para o futuro para saber se continuo fazendo tudo isso ou se tá tudo muito errado.

Mas como não dá, eu vou seguindo em frente fazendo essas coisas que minha intuição acha que são as certas.

Porque eu já fiz demais o que o senso comum dizia que era certo e, de repente, estava tudo muito distante do que eu acreditava e eu fiquei infeliz.

Mas é que esses dias eu ando muito sensível e o que as pessoas dizem estão me fazendo refletir. E algumas me disseram que nunca me viram assim e, apesar de eu não ter entendido tão bem como é o assim, eu fiquei preocupada comigo mesma.

Tás a ver?

02/09/2009

Existe um projecto. E este projecto é legal porque o tema é legal e as pessoas envolvidas nele são legais e o formato é legal. Trabalhamos bué esses últimos dias para que ele deixe de existir só nas nossas cabeças e sonhos e comece a existir de verdade. Essas aí são algumas imagens da nossa produção.

projeto1

projeto2

projeto3

projeto4

brainstorm.doc

24/08/2009

Akatu, confirmar os dados, pautar infografistas, revisar as ilustras, reencontrar o rafi, cumprir o cronograma. Fazer um cronograma. Ônibus lotado até o centro. Soso galeria de arte contemporânea africana. Chuva, claro. Pra divertir. Ou molhar. Ou nenhum dois dois, talvez para demorar.

Amigos, jantares, jantar, eu escolho o restaurante, os vinhos, faço pose de gente chique que entende de vinho, dou sete voltas na taça para liberar o aroma e todos dão risada. Risoto. Na chuva até tarde.

A maka do carro. Chaparia ta bala, mas motor tá a babar óleo. Kuduro é o futuro.

Proposta de trabalho, proposta de destrabalho, arrumar roomate, falar italiano, desalugar a garagem, esvaziar a cômoda, fazer faxina. Preguiça.

Semana mangolê, Jean Rouch, projetos megalomaníacos, projetos dos sonhos, projeto de vida, saudade. Vontade. Muita vontade. Ainda bem, pois é normal ter vontade, ainda mais agora, nessa etapa da vida, em que as opções que existem não nos servem mais. Mas tem gente que não tem vontade e fica sentado numa cadeira na frente do computador fazendo as mesmas coisas idiotas até todos os cabelos ficarem brancos ou o cérebro atrofiar de vez. Aí tudo o que resta é realizar o sonho da casa própria e esperar os dias passarem.

Brasil – Angola, tás a ver? Ou não tás a ver? Eu to a ver. E dá jogo. Jogo de futebol? Jogo de interesses? Dá jogo, simplesmente. Tenho certeza.

Documentários, novas mídias, velhas mídias, velhas pessoas a falar coisas novas, novas pessoas a falar coisas velhas. Jacaré iemanjá. Três pontes. Três documentários. Quantas pontes? Dois caminhos que atravessam um oceano, um num caminho curvilíneo e lento, que nem o movimento dos navios. Outros muito rápido e em linha reta, que é o tempo do agora, do ontem, do amanhã. Mas e a terceira ponte? Essa ficou perdida em algum lugar. Talvez tenha sido levada pela enchente do rio, pois esse fim de semana choveu bué.