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Tetris motobilistico

14/04/2009

transito

Um infografista-reporter-fotografo da Folha que visitou Luanda usou uma expressao mto engracada para descrever o transito da cidade: aquilo la parece um tetris automobilistico. Vou pegar a expressao emprestada e dizer que Hanoi parece um tetris motobilistico.

Todas as ruas sao estreitas e tomadas por motos andando na mao e na contramao, com gente velha e gente nova a bordo, motos com gente carregando baloes, galinhas, caixas ou passageiros em cima, motos buzinando de um jeito atordoante para outras motos ou carros ou biciletas darem passagem,  motos passando realmente muito perto de tudo e de todos, motos avancando no sinal verde ou no sinal vermelho, motos tentando estacionar ao lado de outras motos ou onde houver um espaco na calcada, motos tomando todos os espacos e sons possiveis dessa cidade tao incrivel que e Hanoi.

A parte boa e que vc pode fazer parte desse tetris motobilistico e se locomover rapidinho, loucamente e quase de graca na garupa de um motoqueiro-taxista.

Eita, zica!

07/03/2009

Eu sou amiga da F. Que é amiga da C. Que é minha amiga. Mas nenhuma sabia que uma era amiga da outra. Peguei a C. na casa dela pra irmos no Trinca Espinha comer aquela sopa de frutos do mar com lagostas deliciosas. O Trinca Espinha estava cheio. Eu e C. ligamos pra F para irmos encontrá-la, pois recém-descobrimos que ambas eram amigas da F. Essa coincidência trouxe uma consequência.

Quando estávamos a subir a rua do Hotel Trópico, os semáforos inteligentes da cidade de Luanda marcaram o verde tanto pro meu carro quanto para o outro que estava a descer para cruzar à esquerda, bem a frente do meu carro.

A batida não foi forte, mas estragou bem o carrão gigante e novo da moça que virou sem prestar atenção. Eita, zica! Que sucessão de mini catástrofes! E olha que tem bué de outras catástrofes acontecendo ao mesmo tempo que nem valapena comentar publicamente.

Ó, mas vejam o lado bom: eu não fui linchada na rua, como um monte de estrangeiro pateticamente diz que é o que acontece quando um pula se envolve num acidente.

Volta às aulas

10/02/2009

Pois as aulas voltaram em toda a República de Angola. Com elas, o trânsito em Luanda, que já não andava bem, ficou ainda pior.

Hoje, num percurso que a pé demora 25 minutos, o carro levou 1 hora pra fazer. Quando isso acontece eu aperto eject e vou caminhando. Ir a pé é mais rápido e dá pra comprar gelados, abacates, ananás, sumos, coentro ou qualquer outra coisa no meio do caminho.

Mas esse dias anda um calorzão que dá preguiça de sair por aí sem o ar condicionado.

Acabou

19/12/2008

Todas as sextas de manhã, os miúdos que andam por entre os carros do trânsito congestionado das ruas vendendo carregador de celular, cabides, abajour, árvore de natal, óculos falsificados, pilhas, cigarros, super bonder, pastas, canetas, liquidificador e todas as outras coisas que quem não é de Luanda nem acha que dá pra vender na rua, vendem também os jornais. Quinta é o dia de fecho da maioria dos semanários do país e sexta eles são distribuídos aos leitores por esses miúdos, já que as bancas não existem e as assinaturas também não.  

Eu estava no carro de sempre, no caminho de todos os dias, na hora da reunião de pauta de todas as semanas e… ufa… o Jornal de Economia estava lá  nas mãos dos miúdos, como sempre acontece. A edição estava lá, igualzinha a todas as outras.

Mas nem há tempo para respirarmos aliviados. Terça-feira já há outro fecho, antecipado pelo Natal. Natal, o que é isso? Aqui parece que só há tempo para pensar no fecho.

Ai, o trânsito

11/12/2008

Esse trânsito atrapalha mesmo nossa vida. Graças a ele, na curta distância entre a casa e o trabalho, uma pessoa consegue reclamar de, no mínimo, 12 coisas.  

Ele reclama da falta de descência do homem que faz xixi na roda de um carro.
Da repórter Y., que não consegue nem formular uma pergunta.
Do repórter F., que faz a brilhante pergunta qual a importância de Angola para o Japão e que não consegue identificar qual a parte mais importante de uma entrevista longa com o embaixador de um país.
Da comida vagabunda que ele comeu em Ingombota na noite anterior, depois do fecho.
Da garçonete ladra que não anotou a última cerveja no caixa e depois cobrou-a mesmo assim, só para poder embolsar o dinheiro.
Da matéria de capa.
Da capa.
Da gala que vai haver no Cais Quatro em comemoração do aniversário da revista Chocolate. Que breguice.
Da comida do Cais de Quatro.
Do artigo brilhante que será enviado directamente de França.
Das árvores de Natal vendidas nas ruas pelos ambulantes.
Pela forma agressiva que o sr. seu motorista conduz a viatura.

Não reclamou do paludismo, mas poderia, pois esse é uma das reclamações de todos os dias. Afinal, não se pode ficar doente em África.