Posts Tagged ‘Xi’an’

Sem tecla sap

01/04/2009

Andamos meio aleatoriamente pelo centro de Xi’an passeando com as pernas e com os olhos e com os agasalhos e cachecóis por ruas lindas cheias de árvores (parecia Buenos Aires), construções e monumntos milenares, prédios moderníssimos, mercados de antiguidades e um monte de shopping centers.

Fomos parar num mausoléu lindo de um imperador e logo ao lado dele ficava o History Museum. Mesmo sem o Lonely Planet nos dizer, chegamos lá bem na hora da distribuição gratuita de ingressos. Ainda bem que foi gratuita. O museu era lindo e interessante, mas todas as placas eram assim:

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Aí não deu pra entender muita coisa sobre a história de Xi’an, umas das cidades mais antigas e preservadas da China e ponto de partida da Rota da Seda. O que eu entendi foi mais ou menos o seguinte: a China é um lugar que fundiu muitas origens, culturas, povos e saberes diferentes desde muito tempo atrás. Vi cerâmica de tudo o que era jeito, vi templos budistas, mais terracotas, esculturas de bronze maravilhosas, umas coisas estampadas com caras de peruana, joias, armas, camelos, budas, dragões, uma grande miscelânea de coisas.

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A grande muralha do coração

01/04/2009

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O meu mundo existe através dos meus olhos e do meu coração e por isso no meu mundo eu faço coisas que o resto do mundo pode achar que não faz sentido. No meu mundo fez muito mais sentido sair de Xi’an e voltar direto para a maravilhosa Shenzhen Springfield do que ir lá pra Pequim conhecer as maravilhas da Cidade Proibida, o Ninho de Pássaro, a grande muralha da China e outras coisas incríveis. Pois é. Não faz nenhum sentido, né? Mas pra mim fez todo.

Em Shenzhen eu tenho calor, casa, amigos, cozinha pra fazer altos jantares, um quarto só pra mim e ainda fico fuçando uns lugares que não são nada turísticos, mas que me deixam entender um pouquinho sobre chineses e China de carne e osso.

Em Pequim eu ia passar frio sozinha numa metrópole barulhenta e linda em que tudo e todos estão em outra língua e ainda ia ter que ficar aguentando conversas fiadas com pseudo-mochileiros europeus que acham que conhecer o mundo é pular de albergue em albergue nas cidades que o Lonely Planet recomenda ao redor do mundo, visitar cartões postais lindos e maravilhosos, ir em baladas que só têm outros europeus pseudo-mochileiros e ficar repetindo aquele papo boring que se resume a falar sobre outros cartões postais lindos e maravilhosos já visitados e papagaiar coisas idiotas que o Lonely Planet fala.

Essa muralha não é a grande, mas é grande também e fica em Xi’an. Ela foi construída no tempo de alguma dinastia do passado e cercava a cidade toda. Hoje em dia pode-se alugar uma bike e andar por cima dela. Um passei maravilhoso, delcioso e muito engraçado se vc alugar uma bicileta dupla e ter que pedalar com sua amiga tudo sincronizadinho.

Terracota Warriors

27/03/2009

Saímos do hostel com o mapa e o papel explicadinho em chinês com as instruções para chegarmos até o museu dos Terracotas. Tudo ia bem até saírmos do ônibus número 1. Foi nessa hora que me dei conta de que havíamos perdido o papelzinho e o mapa. Aí andamos um pouco embaixo de chuva até uma chinesa com um inglês meia boca num hotel entender o que queríamos quando apontamos pros terracotas numa foto. Ela  reescreveu em chinês as instruções e disse para irmos straight ahead pegar o bus. Fomos straight ahead e aí uma moça saiu gritando terracota warriors fazendo sinal para dentro de um bus que não era o número indicado pela outra moça. Mal tivemos tempo de pensar no que fazer e o ônibus já estava no seu caminho com a gente dentro, mesmo sem a gente saber se aquele era o caminho que precisávamos. Em cada parada entravam mais chineses com cara de que trabalham em minas de carvão e não com cara de que estão indo visitar um museu.  Uma hora os chineses mineiros desceram e o ônibus ficou praticamente vazio. Aí ele chegou onde a gente queria. Ufa.

O passeio ao museu dos Terracotas Warriors foi um dos mais incríveis que já fiz. A dinastia Qin, que existiu em 700 e poucos antes de cristo, montou um exército de mais de 6 mil homens de barro, os terracotas, com técnicas sofisticadíssimas, muitas das quais só descobertas pelos ocidentais no século 20. Tem aí algumas fotos pra vcs verem.

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O calor ainda existe?

27/03/2009

Saí toda encapotada com duas meias, dois agasalhos, um blusa de manga comprida, cachecol, all star e guarda-chuva oliginal e, ainda assim, passei frio o dia todo. Saco. Saudade das minhas sandálias e vestidos e sainhas e do lugar que faz sol e calor todos os dias e que se chama Luanda. Saudade do calor humano das pessoas e povos que estão acostumados com isso.

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Fotos das 26 horas

26/03/2009

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26 horas

26/03/2009

O trem tinha caminha, edredon, travesseiro, vendedores de frutas e de noodles, vendedores de brinquedos eletrônicos made in china e de jornais e revista em chinês. Mas depois de 26 horas não há diversão que faça um ser humano dentro daquele trem pinga pinga que cortou mais de 2 mil quilômetros de China não ficar entendiado.

Ainda mais depois que os nosso amigos foram embora. Na nossa celinha tinha um triliche: C. e eu em cima, dois quarentões barrigudos e simpáticos no meio e um casal de velhinhos que vistam pantufa a noite embaixo. Ficamos super amigos, apesar de eles só saberem falar rm inglês what’s your name, sit down, how old are you e eu só aquelas cinco palavras em chinês (a C. sabe umas 10). Conversamos longamente, cada um no seu idioma. Tiramos fotos, fizemos escambo de alimentos, descobrimos a cidade em que cada um morava e demos muitas risadas desses diáologos malucos, sem pé nem cabeça. Descobri que um dos barrigudos vendia e comprava ouro de Gana e descobri também que ele queria fazer abdominal à noite quando meu estrado começou a dar uns pulos.

Do lado de fora vi muitas plantações de cebolinhas ou chás e muitas árvores sem folhas mostravam que essas terras do norte são frias. Vi umas montahnas bonitas, umas casas de camponeses e vez ou outra cruzávamos uma cidadezinha chinesa, que aqui tem 2 ou 3 miulhões de habitantes. Também vi umas cavernas cavadas para dentro dessas montanhas arenosas e fiquei pensando que deve haver gente que mora aí dentro.

Quando saí do trem vi que aqui faz mesmo frio. Garoa, ventinho, tipo SP no inverno. Estou com roupas de frio emprestadas, eu allstar oliginal de 7 dólares e 2 calças jeans, uma doada e outra comprada por 5 dólares. Os vestidos e sandálias e fatos de banho e sainhas que eu usava em Luanda ficaram lá guardados em Shenzhen.

Amanhã vou fazer passeio de turista e visitar o exército de terracotas. A cidade parece lindíssima. Mas o frio e a chuvinha não nos deu coragem de botar o nariz pra fora.

Free internet, vou postar umas fotos engraçadas depois pra vcs sentirem o clima do trem. Ah, o albergue custa 4 dólares. Recém-saída de Luanda, onde 5 bananas custavam 4 dólares, ainda fico meio boba com o preço das coisas. E, por falar em Luanda e também por falar em São Paulo, tenho que dizer que a saudade anda rondando.

Roteiro de viagem

24/03/2009

Eu acho que voltei a conseguir planejar minha vida para um horizonte maior do que 2 dias. Olhem só que orgulho!

Saio de Shenzen amanhã. Pego o trem até Guangzhou, que é uma cidade gigantesca de onde sai um outro trem que demora 26 horas pra chegar em Xi’an. Xi’an fica no noroeste da China, é uma das cidades mais antigas e culturalmente preservadas do país. Tem o exército de terracotas, templos, coisas histórias e uma montanha bem alta, uma das mais importantes da China. Essa parte eu faço com a C.

Depois ela vai embora porque arrumou um emprego (bem no dia que eu cheguei a mulher ligou, eita). E aí eu vou sozinha conhecer Pequim. Daí não sei mto bem quantos dias eu fico e nem se paro em outra cidade ainda.

No dia 6 ou 7 de abril eu pego um vôo de Hong Kong pra Bangkok, Tailândia. Lá vou encontrar minha irmã, eba! Daremos um giro pela Taildândia, Vietnã e Cambodja.

Ei, Candongueiro, me aguarde: quem sabe até o fim da viagem eu consigo organizar um google maps todo bonitinho?